Novo hospital III*

03 de julho de 2015

“Quando fazemos uma opção de vida decente, não conspurcada pela ignorância bruta, pelos interesses mesquinhos, pela tolice ou pela canalhice, não há como conceber nossas emoções separadas da razão”. Luiz Flavio Gomes – Jurista e presidente do Instituto Avante Brasil.

Ao expressarmos nossa opinião com relação à forma de construção do novo hospital, sabíamos que os interesses contrariados, aliados a uma dose de ignorância e à exploração dos crédulos, faria com que alguns se voltassem contra nossas colocações, pois apesar de “toda unanimidade ser burra”, como dizia Nelson  Rodrigues, muitos não se conformam que alguém pense de maneira diferente.

Esses, os contrariados, podem se antepor às ideias com argumentos,  ou atacar seus oponentes.  À falta de respostas, o melhor é desancar quem não concorda, metendo-se a tirar conclusões próprias de seu desconhecimento e despreparo,  sem nenhum fundamento lógico ou racional.

Ao escrever sobre o tema, tentei chamar a atenção para a maneira errada e ilegal com que o Município, através de seu representante, quis atender a essa reivindicação da população, apresentando alguns argumentos contrários à forma e não a essência.  Apenas isso.

Não querendo atingir ou criticar pessoas, mas ideias, asseverei que tanto a atual diretoria como a próxima futura, era composta por pessoas bem intencionadas. Infelizmente, não é o que sinto neste momento.

Na “resposta” do atual presidente, ficou claro que não gostando de minhas colocações, fez ataques de cunho pessoal, sem nenhum fundamento, frutos de sua inexperiência e do veneno instilado por alguns próximos e que têm interesse que as coisas sejam  do jeito que eles querem, o resto não importa.

Não se trata, portanto,  de obter vantagens políticas, pois se estas existem, é por parte de quem lançou essa ideia esdrúxula e que logo foi encampada por um grupo de pessoas sem nenhuma legitimidade para assumir essa tarefa.  Por favor me respondam: ser eleito numa associação privada, onde o índice de participação é quase zero, por seus companheiros, assegura competência e legitimidade para gerir mais de R$ 7 milhões de dinheiro público?

Na visão da “resposta”, o Sr. presidente, citando Friedman, elenca quatro  maneiras de se gastar dinheiro, dizendo que a melhor forma é “gastar o seu dinheiro com você mesmo”!  Será que ele acha que vendendo o hospital o dinheiro passa a ser dele ou da diretoria?  É o que se deduz de suas alegações.

Na sua visão empresarial, esquece que é funcionário de uma empresa estatal, do governo portanto.  Esquece, também, que corrupção e desvio não são exclusivos de políticos, mas no caso da Lava Jato, de funcionários (diretoria) e de empresários.

Pelo que afirma, o mesmo é contra os impostos!  Esquecendo que mais de 99% de sua renda (do hospital) é proveniente dos impostos, via SUS e via Prefeitura Municipal.

Enfim, a “resposta”, com o devido respeito, é totalmente contraditória e ofensiva, demonstrando que seu autor, ou está mal assessorado tendo sido levado por outros a fazer o que fez, ou é ingênuo ao extremo, ou ainda, totalmente despreparado.

O simples fato de se afastar da presidência, quando poderia gerir a obra,  é uma confissão espontânea disso.

O mesmo acontece com nosso prefeito, que prefere que “outros” toquem a grande obra, do que assumir essa responsabilidade. Nesse caso, o melhor seria dar incentivo à iniciativa privada, como se faz com  qualquer novo empreendimento.

Ao final dessa história,  se efetivamente o Hospital for construído da maneira proposta, todos quererão assumir a glória; o prefeito dirá que ele é o responsável, o presidente do Hospital atual, dirá que é graças a ele que a obra saiu, e os vereadores, que deram a maior parte do dinheiro e a autorização para tudo isso, dirão que eles são os verdadeiros responsáveis. Isso é que seria “levar vantagem política”.

Se nada sair, como é bastante provável, a culpa será  atribuída aos outros, entre os quais este articulista, que de força, tem apenas sua palavra.

Atender aos interesses da sociedade é fazer a coisa certa, correta, legal e não transferir para outrem essa tarefa.

Afinal, a quem pertence o Hospital atual?  Aos seus sócios?  À comunidade? Parece que não, pois qualquer um de nós que queira ser atendido na “associação filantrópica” tem que pagar por isso, ou de seu próprio bolso, ou através do SUS, ou via convênio de saúde, ou pelos vultuosos repasses da Prefeitura. Isso sim, é que é “gastar o dinheiro dos outros com os outros”, meu caro Michel.

Como foi dito, não há almoço grátis e nem atendimento hospitalar.

 

*Texto republicado devido à falta dos parágrafos finais na semana passada.

Argos Fayad

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