Muito Google, pouco cérebro?

09 de setembro de 2016

Alysson Thiago Cardoso*

 

A tecnologia é um dilema, um paradoxo. Nunca estivemos tão perto uns dos outros, e o perto nunca foi tão longe.

Os avanços tecnológicos vêm como a solução de muitos de nossos problemas, uma espécie de remédio, talvez a cura. Porém, não conseguimos acompanhar toda essa superinformação que nos atinge a todo instante, e por vezes esquecemos que até mesmo o remédio em excesso é veneno.

Quem está para desenvolver a técnica, normalmente encontra-se incomodado, com a mente inquieta, e faz sacrifícios para obter avanços. Do outro lado da história, quem acomoda-se facilmente, apenas usufrui e aceita o que recebe sem a menor vontade de aprimorar a técnica, correndo o risco de tornar-se escravo da facilidade. Estagnação mental que reflete nossa preguiça, a necessidade do GPS para traçar a mesma rota todos os dias, do calendário digital para lembrar a data do aniversário da própria mãe, de curtidas para sentir-se vivo.

Mas seria a tecnologia ruim? O caso mais recente que causou esse questionamento foi o lançamento de PokemonGo. Houve quem demonizou o jogo por parecer uma afronta aos que abominam todo tipo de avanço (e ironicamente pregam essa abstenção nas redes sociais), e teve quem entendeu que é só um meio de diversão e entretenimento, assim como assistir uma partida de futebol. E é passível de acontecimentos negativos como quase tudo na vida.

O que presenciamos neste momento nada mais é que a velha pergunta feita em novos moldes: estaria o copo meio cheio, ou meio vazio?

Acredito que os dois. Ver apenas um lado é cegueira assim como não ver nenhum. Viver sem tecnologia nos dias de hoje é praticamente impossível, e viver com o excesso dela é privar-se do mundo real ao seu redor. O ideal é buscar a sensatez e saber de seus limites, usar o que se tem disponível para auxiliar o ser-humano, mas sem deixar de ser humano.

 

Aluno do 4º Ano do Curso Técnico em Meio Ambiente. Membro do Grupo de Estudos em Ciências Humanas – Mentes Inquietas do Colégio São Mateus.

Mentes Inquietas

mentesinquietas@jornalaconteceu.com.br |

Comentários