Minha casa, minha gratificação

18 de julho de 2014

A nossa Assembleia Legislativa, vide deputados estaduais, em sua ampla maioria, aprovou recentemente, sob o nome de “Auxílio-moradia”, verba destinada a todos os juízes do Estado, no valor de R$ 3,2 mil mensais.

Os promotores públicos, em nome da paridade e isonomia que deve existir entre os poderes, aproveitaram a nova lei e também implementaram o auxílio em seu benefício.

São aproximadamente 1,5 mil funcionários públicos, entre os mais de centenas de milhares de servidores paranaenses, que irão usufruir dessa medida legal, pois aprovada por Lei. Os beneficiados justamente são os que já recebem os maiores salários entre todos os servidores públicos do Estado, ou seja, a elite funcional.

Apesar de legal, conforme já mencionado, questiona-se a moralidade e justiça de tal complemento salarial, justamente para duas classes que tem a missão de fazer e distribuir justiça para todos.

A esse respeito, me vem a frase famosa de George Orwell (escritor inglês), em sua formidável obra A Revolução dos bichos: “Todos são iguais, mas alguns são mais iguais!”. A frase se aplica toda vez que se criam privilégios em favor de alguns e em detrimento de outros.

Longe de mim querer discutir nesse pequeno espaço, quais devem ser os vencimentos de uma classe tão importante e fundamental como a dos juízes e promotores públicos.  Evidentemente, que para tão altas responsabilidades, imensas dificuldades para o exercício da função,  e indispensável  missão constitucional, que devem estar no topo da pirâmide salarial.

Mas para que se tenha a justa valorização, não é possível ceder à realidade financeira do Estado, suas possibilidades e a adequação desses salários com relação às demais classes de servidores.

Todos os servidores públicos deveriam ser indispensáveis e valorizados, e tratados com igualdade diante das características de sua função e também do número necessário.

Policiais, professores, são cada vez mais necessários e, apesar de se constituírem em dezenas de milhares, ainda há falta de muitos no serviço público.

Na área da saúde, faltam profissionais médicos e outros servidores e, apesar disso, a recente oferta de médicos estrangeiros, pelo governo federal,  pagando-se R$ 10 mil a eles, foi muito criticada pela imprensa e pela classe.

A grande conclusão a que se chega é que este é um país das desigualdades, e, porque não dizer, injustiças, pois enquanto alguns ficam com as migalhas, como as criticadas “bolsas” e os pequenos salários da base,  alguns poucos  são privilegiados, recebendo mais que o teto, auxílios extraordinários, e revelando que em se tratando de dinheiro público, ninguém é santo e todos querem tirar uma casquinha.

Argos Fayad

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