Medidas impopulares

30 de janeiro de 2015

Afinal o que são as chamadas “medidas impopulares”, que os governantes  tomam em certos momentos da vida política e econômica de uma Nação, Estado membro ou Município?

Ora, simplesmente são aquelas que não são de agrado de boa parte do povo, seja porque lhes tiram determinados direitos, seja porque aumentam-se os impostos, seja porque não atendem alguns anseios de determinadas camadas da população.

Um exemplo disso, por exemplo, na área previdenciária, é o aumento da idade mínima para aposentadoria.

Todos querem se aposentar com a menor idade possível, com o menor tempo de serviço ou contribuição e com a maior remuneração.  Qualquer regra que vá de encontro com esses anseios torna-se uma medida impopular e o governante que a tomou fica eternamente marcado negativamente.

Mas ainda falando em Previdência, se é criada uma regra que acaba ou restringe com alguns privilégios ou benesses criadas ao longo do tempo ou que se tornam impossíveis de cumprir, essa norma é uma medida impopular? Impopular é sinônimo de injusta?

Para aqueles que serão diretamente atingidos pela nova estipulação, a resposta é sempre sim.

Esses, longe de perguntar se a medida é necessária ou adequada, simplesmente vão alardear que está tudo errado e que não se pode atingir o bolso de cada um dessa maneira, etc. etc.

Afinal, cada um quer defender o seu próprio interesse, sem dar a mínima para o interesse dos outros ou mesmo o interesse público.

Aliás, falar em interesse público ou da maioria nesse momento, é inútil, pois aí vem sempre o argumento: os políticos só defendem os seus interesses próprios, porque que Eu, um modesto cidadão, vou fazer diferente?

Esquece-se nesse momento, que nenhum político experto quer desagradar a população, pois ele depende da aprovação popular para conseguir o poder ou nele permanecer, e é em razão disso que se cometem as maiores barbaridades.

Na grande maioria das vezes, os privilégios, as benesses e as “medidas populares”, são tomadas sem nenhum senso de responsabilidade e simplesmente para agradar determinados setores ou algumas camadas da sociedade.

Aí, chega um momento em que é impossível continuar da mesma maneira. A Nação ou o ente federativo estão quebrados, não conseguem cumprir seus compromissos e a deterioração dos serviços públicos aumenta e nada mais anda com regularidade.

O resultado é que os verdadeiros responsáveis pela situação de falência que muitos se encontram, e que concederam benefícios que não podiam, são endeusados e àqueles que os cortam, são demonizados.

Como escapar dessa armadilha?

Como julgar, e condenar os verdadeiros culpados e absolver os inocentes?

Somente com informação, muita informação. E algum discernimento.

Não é possível conceder uma aposentadoria, aos 39/40 anos de idade e com uma expectativa de vida de 70/80 anos, conforme acontecia corriqueiramente há alguns anos atrás.

Também, não é mais possível, aposentar alguém, como acontece no serviço público, com o mesmo último e maior salário da ativa, ou quando da morte do cônjuge, receber 100% do valor que o falecido recebia, sem qualquer limitação de valores.

Evidentemente que em se tratando de remunerações de regular monta, inferiores a 10 salários mínimos, por exemplo, é justo que se dê esse tratamento, mas estamos falando de soldos e pensões superiores a  20 ou 30 mil reais como  acontece atualmente.

Há poucas semanas, reportagem da Gazeta do Povo, demonstrou que alguns salários de nossa Prefeitura estavam entre os maiores do Estado.

Como isso aconteceu? Se a grande maioria dos servidores municipais percebe valores insuficientes ou fora do mercado?  Quem foi o responsável por esse verdadeiro privilégio, já que a média salarial do município, é baixa?

Em matéria anterior já criticava algumas altíssimas remunerações na área médica municipal.

Afinal, o que é certo numa administração pública, fazer o que é preciso, justo e possível, ou simplesmente governar para agradar?

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

Comentários