Łódź

19 de junho de 2015

A Escola de Líderes fez questão de nos levar para cidade de Łódź, para ver de perto as grandes fábricas têxteis movidas a vapor, construídas pela mão-de-obra polonesa, mas com dinheiro judeu — cidade natal da escritora e tradutora Alexandra Pluta, que nos auxiliou na ocasião, e de Monika Scibor, monitora durante o curso e ministradora do conteúdo descrito abaixo.

A Polônia foi invadida pelo o exército do Terceiro Reich em 1º de setembro de 1939. Não houve sequer uma declaração de guerra.

Como em muitos outros acontecimentos na história, a invasão deste país foi feita graças a uma operação de bandeira falsa. Isto significa que os nazis simularam um ataque de forças polacas a uma estação de rádio alemã na Silésia.

Os operacionais nazi vestiriam uniformes polacos e invadiriam a estação radiofônica difundido uma mensagem anti-germânica. Para que o ataque tivesse credibilidade, a Gestapo entregava um silesiano-alemão simpatizante polaco  de nome Franciszek Honiok.

Honiok seria vestido de modo a parecer um sabotador, abatido com uma injeção letal, e o seu cadáver baleado com tiros. Seria posteriormente fotografado e mostrado às autoridades e imprensa, a qual teria um papel preponderante na galvanização das massas contra a Polônia.

O acontecimento de 31 de agosto de 1939 ficou conhecido como o Incidente de Gleiwitz (Prowokacja gliwicka): a violência e destruição começara.

A Polônia era um país multi-cultural conhecido pela sua tolerância para com os estrangeiros e pela imensa comunidade judaica que ajudara a fazer crescer a economia polaca. Grande parte da indústria e manufaturas eram propriedade de famílias judaicas, tal como os grandes palácios, edifícios e maior parte do comércio na rua Piotrkowska, uma das mais extensas ruas comerciais europeias .

Łódź era a cidade dos judeus por excelência. As grandes fábricas e manufaturas ainda hoje se podem ver, algumas abandonadas e outras restauradas, como a Fábrica Branca de Ludwik Geyer e o centro comercial que foi em tempos a fábrica do riquíssimo Israel Poznański. O palácio passou a ser um edifício estatal e público, existindo inclusive um museu que aloja muitas máquinas têxteis em seu interior, relatando como era o trabalho e seu funcionamento, com vídeos e fotos.

Durante a Segunda Grande Guerra, a Polônia foi literalmente massacrada. O grau de destruição foi tal que, em cidades como Varsóvia, não ficou pedra sobre pedra.

Łódź também foi destruída, mas numa escala muito menor. Na realidade, a cidade foi palco das mais bárbaras perseguições e massacres de judeus.

O gueto de Łódź, o massacre em Radogoszcz, as perseguições e separações de famílias judaicas, os desalojamentos, o rapto de crianças em maternidades e hospitais para o extermínio e a infame linha de comboio que levava os judeus em carruagens de gado para Auschwitz, Berkinau (Oświęcim e Brzezinka) e outros campos de concentração polacos, são parte da história dramática desta cidade.

Fontes: Lodz Shtet,
Monika Scibor

Everaldo Karpinski Kotrich

eve-ko@hotmail.com |

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