Hora do professor aprender

24 de abril de 2015

Uma coisa que sempre fui na vida e me orgulho disso, é um curioso. Mas não curioso pela vida dos outros, ao contrário, cada um com a sua vida, cada um que cuide da sua vida que já faz o bastante para a humanidade. Minha curiosidade é por conhecer, e se possível sobre tudo. Aquilo que me serve eu conservo, caso contrário cai no esquecimento ou fica numa “gavetinha” em stand by, para se acaso um dia eu precisar, ter onde buscar. Creio que foi uma das coisas que me levou a ser professor — aprender cada vez mais para poder passar um pouco disso para os alunos.

Uma grande verdade eu aprendi nesses anos de sala de aula: a gente aprende muito com os alunos, apesar de eles nem imaginarem isso e a princípio não ser a via normal das coisas, pelo menos a via que a gente imagina, pois a gente se prepara para ensinar tudo e mais um pouco, e depois com o tempo vê que na verdade aprendeu mais do que ensinou. Torna-se uma troca maravilhosa.

De um tempo pra cá, voltei a aprender com uma aluna, mais do que especial. Talvez nem seja aprender, mas relembrar muito do que me recordo ter falado algumas vezes em sala de aula e outras em conversas particulares com alunos e alunas ao longo de 20 anos de sala de aula. Lembrar que temos um pouquinho de cavaleiro Jedi (pronuncia-se Jedai), que a força está com a gente, que não são só os heróis que têm superpoderes, mas que nós podemos muito mais do que imaginamos, e que geralmente os outros acreditam muito mais em nós, do que nós mesmos.

Bom, o que eu quero dizer é que chegou o momento do professor aprender mais uma lição e está sendo maravilhoso aprender com essa linda e maravilhosa guerreira, que está compartilhando suas experiências e expectativas sobre o câncer com todos nós. Sou um cara privilegiado por ser fã de muitas pessoas e talvez nunca tenha dito, mas sempre fui fã dessas duas lindas irmãs gêmeas, que sempre me deixavam confuso em saber quem era quem, e graças a Deus elas mesmo se intitulavam Fran 1 e Fran 2. Fã porque sempre foram dedicadas, educadas e brincalhonas, todos amavam elas. E passados tantos anos vemos essa batalha que ela está vencendo e ficamos pensativos que de tantas coisas do que falamos em sala, seja da matéria ou da vida, nós não fomos preparados para lidar com esse revés, nem preparar alguém para isso. Mas ficamos felizes em saber que as raízes profundas do bem, que sabíamos que sempre existiram nelas, agora estão sendo o alicerce necessário para suportar e vencer essa batalha.

Ficamos aqui acompanhando, orando, torcendo e vibrando com as conquistas e humildemente aprendendo, não como um professor, mas como um aluno que presta atenção em tudo o que a “professora” está ensinando e sendo grato a Deus por me permitir ter essa professora maravilhosa, preparada pelo destino a me ensinar, e a muitos, como se vive a vida.

É nessa hora que passo a bola pra você “tia” Fran! Muito obrigado por querer ser nossa professora, e da matéria mais importante de todas: a VIDA.

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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