Governar para quem?

12 de dezembro de 2014

Diante do recente pacote de medidas fiscais, enviado pelo governador Beto Richa (PSDB) à Assembleia Legislativa, aumentando impostos, todos eles pagos pela população em geral, fica a pergunta: governar para quem?

Ante a desculpa de que o caixa do Estado está com dificuldades financeiras, e que o dinheiro arrecadado não é o suficiente para todos os compromissos, a solução encontrada é a mais simples e descarada possível — aumentam-se os impostos e a população que pague por tudo isso.

A cara de pau ou o cinismo, não só do governador, mas de todos que apoiam essas medidas, como a grande maioria de nossos deputados, é clara e evidente e causa a indignação e a revolta do cidadão consciente.

Em vez de se procurar as causas da falta de dinheiro, que são os gastos desmedidos e irresponsáveis dos próprios governantes, ataca-se, na outra ponta, o povo indefeso e ignorado pelos atuais mandatários.

A classe média será prejudicada diretamente com o absurdo aumento do IPVA, que já era caro, e que pela proposta eleva-se em 40%!

Estimula-se a compra de veículos, dão-se incentivos fiscais para instalação de indústrias automobilísticas, reduz-se os impostos das montadoras, e no outro lado, cobra-se a conta de todos nós brasileiros, que desejamos ter uma bom carro em nossa garagem.

Nossas estradas, apesar de pedagiadas em sua maioria, encontram-se em péssimo estado e o atual governador, além de ser favorável a esse cancro que é o pedágio alto, agora ataca mais uma vez o bolso dos proprietários de veículos.

O pior, é que apesar de financiarmos tudo isso, com impostos caríssimos e os mais altos pedágios do país, continuamos a sofrer no trânsito, perdendo vidas e tendo prejuízos todos os dias.

Para solucionar os problemas do trânsito em geral, o governo federal aumentou o valor das multas, mais uma vez assaltando o contribuinte e achando que cobrar é a solução.

Voltando ao Paraná, no mesmo pacote, o governador aumenta os impostos de vários produtos que compõem a cesta básica – alimentos – atingindo e prejudicando a todos, mas em especial os pobres ou a classe com mais baixa renda.

Como se vê, ninguém ficou a salvo desses aumentos, e a população devagar vai digerindo tudo de mal que lhe é feito e nas próximas eleições, ainda “votam no homem”, pois é bonito, simpático e diz coisas agradáveis.

Ao mesmo tempo em que se dá auxílio moradia de R$ 4 mil mensais aos melhores remunerados do Estado, aumenta o preço da comida, prejudicando a quem ganha próximo ao R$ 724.

O discernimento do eleitor é o grande problema das democracias, onde os votos têm todos o mesmo peso e as escolhas são realizadas sem a cautela necessária.

Muitas vezes somos enganados pela boa propaganda, e pelo que os candidatos parecem ser.  Não damos o devido valor para as melhores qualidades das pessoas, mas ressaltamos seus pequenos defeitos.

Daí, deu no que deu.

O bonitinho e simpático Beto Richa ferrou com todos nós (desculpem a expressão). E com a ajuda de nossos queridos deputados.

Argos Fayad

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