Gás e outros

06 de fevereiro de 2015

Semana passada, o prefeito municipal anunciou a construção de um gasoduto ligando Araucária à nossa cidade, o que poderia significar a redenção de nossa economia, aumento da taxa de emprego, da renda dos são-mateuenses e da possibilidade de “nossos filhos” aqui ficarem, não precisando procurar serviço em outros locais.

Assim, uma simples promessa do atual governador torna-se uma grande realização geradora de amplos benefícios e que resolverá inúmeros problemas trazendo a felicidade a todos.

A realidade é que o comandante do Estado está totalmente desacreditado pelos recentes acontecimentos de nossa economia, entre os quais podemos citar o não pagamento de R$ 16 milhões de reais à Comec,  e que resultou na falta de transporte público a milhões de pessoas; o aumento significativo do IPVA e outros impostos; o atraso no pagamento de benefícios trabalhistas e até de salários e outras trapalhadas que induzem a um nível elevado de dificuldades do Estado.

Como o investimento do gasoduto será de responsabilidade da Compagas, companhia com capital e orçamento próprio, até que se pode crer na veracidade da informação e na promessa, mas aí já tirar as conclusões e pensar nos grandes benefícios que isso trará, vai uma longa distância.

O gás, como energético, é importante e mais uma possibilidade entre inúmeras outras existentes, como a própria energia elétrica (onde está a termoelétrica?), os subprodutos da industrialização do xisto, o gás do próprio xisto, a ligação ferroviária e outras condições que possam atrair indústrias e novos investimentos para o município.

Entretanto, a energia é somente um dos atrativos industriais, existindo inúmeros outros a serem analisados. E num momento de crise econômica, com todas as condições desfavoráveis, a tarefa de atrair indústrias se torna quase que impossível.  Afinal, que tipo de investimento poderia aqui ser feito, diferentemente de outros locais do País?

Segundo economistas, a “crise” não poderá ser superada em menos de um ano, ano e meio, o que significa que muito dificilmente teremos investimentos nesse período.

A mim parece que o incentivo a pequenos e novos investimentos, aliado a uma atenção maior aos já existentes, seria o melhor caminho a seguir nesse momento, aliando-se a uma gestão municipal equilibrada e eficiente, que tenha credibilidade e que anime a todos positivamente.

Conforme comentamos no artigo anterior, os governos, federal e estadual, já anunciaram nesse início de ano medidas de contenção de despesas e de aumento de arrecadação, visando equilibrar as contas.

O governo municipal, por sua vez, anunciou hoje (quarta-feira) o cancelamento do Carnaval de Rua e a destinação dos recursos que seriam gastos em prol da saúde, mais fazendo parecer uma ação de fundo demagógico do que uma ação de economia num momento difícil.

Há poucos meses, tivemos a questão da decoração de Natal, com a polêmica instaurada pela falta de recursos orçamentários, segundo relato do pessoal da Prefeitura, já que dinheiro tinha e foi gasto para esse fim, R$ 170 mil.

Tudo isso demonstra que o pessoal está um pouco confuso ou perdido em suas ações e posições, deixando a população insegura e sem condições de avaliar a realidade.

Argos Fayad

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