Fim

08 de abril de 2016

“Pronto. Acabou!”, me disse a médica olhando os resultados dos meus últimos exames e o calendário dos ciclos de quimioterapia e radioterapia.

E agora? Pode parecer fácil retornar à rotina depois de um período conturbado, pois as coisas deveriam simplesmente voltar ao “normal”, mas não é bem assim!

Como proceder se eu já não sou mais a mesma pessoa de antes do câncer? Mudaram os meus pensamentos, os meus objetivos e a forma de encarar e suportar a dor.

Quando a médica falou que eu estava de “alta” e que somente precisava fazer os exames com certa frequência para acompanhar os resultados do tratamento, eu me senti um pouco perdida e fico esquisita até para traduzir o que passou pela minha cabeça naquele momento.

Quando se faz o tratamento, temos do nosso lado uma equipe de profissionais dispostos a nos atender a qualquer hora do dia. Qualquer dúvida que eu tivesse eu ligava para perguntar, falava com as enfermeiras e chorava no ombro querido da psicóloga.

Desta forma, eu me sentia segura, mimada, como se qualquer dor diferente pudesse ser suportada também por eles e pela família e amigos. Eu imaginava que a responsabilidade da minha vida não estava apenas em minhas mãos e isso diminuía o peso da “carga emocional” tão pesada nessa fase difícil.

E agora? Para quem ligar quando surgir alguma dúvida? Aliás, as dúvidas que surgem não possuem nenhuma relação com o tratamento, mas com a insegurança do “seguir a vida normalmente”.

Parece que eu tive um intervalo na vida e agora recomeço o segundo tempo. E estamos empatados, a vida e eu.

E agora? Esse novo tempo eu não sei como será. Espero ter aprendido com as dores a desviar de erros e desesperanças.

É uma nova chance, um nascer de novo, um “click” chamando a atenção para as coisas importantes ao meu redor. É aprender a não deixar para amanhã os risos fáceis de hoje, os abraços calorosos, as lágrimas e as palavras que prendem a garganta.

O câncer foi a pior e a melhor coisa que aconteceu comigo. Claro, o tratamento é tão sofrido que prefiro nem lembrar. Mas e as coisas boas? E os amigos sinceros que ficaram ao meu lado? A família amada que mais unida ficou? Todos nós aprendemos.

Viver um dia de cada vez e aproveitar o máximo tudo o que o nosso Pai pode nos oferecer, agradecendo por todos os instantes, bons ou ruins, são algumas das lições que eu aprendi.

E agora, com o fim dessa fase, despeço-me dessas páginas na esperança de ter trazido um pouquinho de confiança para todos que encaram momentos difíceis. Tenham fé e a vida nunca terá fim

Francini Franco do Prado

francini.adv@hotmail.com |

Comentários