Entre altos e baixos

25 de julho de 2014

“Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, a gente estancou de repente ou foi o mundo então que cresceu…”. Assim fala magistralmente Chico Buarque, na música Roda Vida, e me traz à lembrança aqueles períodos down, pra baixo ou negativo, como queiram, que vez por outra passamos em nossa vida.

Recentemente, conversando com uma grande amiga que passa por um momento desses, ela me confidenciou que ninguém a preparou para isso, que a vida não prepara a gente para momentos assim, e eles existem muitas vezes em nós. Lembrei então que recentemente, durante um curso que ministrei, passei o filme Fama (Fame, no original), um sucesso dos anos 1980, com uma maravilhosa trilha sonora (https://www.youtube.com/watch?v=qP3BK96UzRE ou https://www.youtube.com/watch?v=794hcrXT4xo ). Um musical que mostra jovens tentando aprender ou desenvolver suas habilidades numa escola de arte, querendo alcançar a fama.

Lembro que foi um grande impacto para mim, com 15 anos, em ver um filme que mostrava algo bem diferente de tudo o que eu já tinha visto, e já tinha assistido muita coisa. Um filme que mostrava que, por maior que fossem os esforços, por mais tentativas, por mais talento, por mais tudo que indicasse que as coisas dariam certo, podem não dar. Falei sobre isso com os alunos, pois, para mim, foi importante no sentido de que nem sempre tudo vai dar certo em nossa vida, mesmo quando tudo diz que daria. Lembro-me que discutimos muito na época, com os amigos. Pois é, fazíamos isso sim, trocávamos realmente ideias sobre filmes, músicas, comerciais e acontecimentos.

O fato é que a vida é feita de altos e baixos, mas não nos falam dos baixos, não falam que os problemas, as encrencas, as coisas erradas fazem parte de nossas vidas, tanto ou até mais do que as coisas boas. Todo mundo fala que se deve estudar (eu inclusive sou o maior incentivador…), ter curso superior, pós-graduação, que é o caminho do sucesso (o que é sucesso?). Mas ninguém fala que pode dar errado ou que o erro faz parte do jogo. É como uma maratona que tem milhares de competidores e somente um primeiro lugar, um segundo… e todo mundo é obrigado a chegar em primeiro, como se o segundo lugar não tivesse a mínima importância — e o que dizer daqueles em que o simples fato de terminar a prova é a maior das vitórias.

Ao falar com os alunos, tentei mostrar a eles, da mesma maneira que eu via anos atrás, que devemos nos esforçar sim, e muito, mas lembrar que não dar certo faz parte do jogo. Tentei propor uma mudança de pensamento, ao invés de conquistar o primeiro lugar, buscar ser feliz. Dei-me como exemplo: casei e imaginei que fosse para sempre, não foi; mas buscamos que o próximo seja e acredito que será. Tenho dois cursos superiores que gosto muito e atuo em outra área, e muito feliz creio desenvolver um ótimo trabalho nisso. Os cursos que fiz me dão base para estar aqui escrevendo essas ideias.

Rogo aos pais: contem seus fracassos aos seus filhos, prepare-os para a vida real, não escondam esse outro lado real da vida, pois se nem tudo são flores na vida, aprenderemos a valorizar cada perfume que encontrarmos no caminho.

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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