Corrupção x Incompetência

08 de maio de 2015

Na noite de terça-feira (5), foi divulgado nacionalmente o depoimento de Paulo Roberto Costa na CPI do Congresso Nacional, na qual o mesmo afirma que o atual “rombo” da Petrobras, a corrupção, ou seja, os desvios de dinheiro e o roubo, representam “apenas” 10% do total.

O resto, ou seja, os outros 90% seriam decorrentes da gestão desastrosa que não permitiu o reajuste dos derivados de petróleo — leia-se gasolina e diesel — para todos nós, consumidores.

Se for realmente verdadeira essa afirmativa, e ao que parece é, os “responsáveis” pela maior parte do rombo, em última análise, somos nós, consumidores brasileiros, que nos beneficiamos do preço baixo desses dois derivados, utilizados diuturnamente por toda população.

É claro que a não autorização do reajuste de preços, quando isso era necessário, tinha como objetivo agradar ao povo, evitar a alta de preços e as demais consequências negativas que isso causaria perante a opinião pública.

Até hoje afirmamos que o preço de nossa gasolina é um dos maiores do mundo.  Ao que parece, deveria ser mais alto ainda.

Mas a lição que podemos tirar dessa afirmação, que pode ser verificada contabilmente, é que a incompetência, a má gestão, as medidas dita populares, tendem a ser mais nocivas a uma empresa ou administração, que a própria corrupção.

Se olharmos mais abaixo, para os estados e para os municípios, podemos verificar que é uma grande verdade.

Decisões desastradas, gastos desnecessários, obras de pouca utilidade, benefícios concedidos etc., causam desequilíbrio nas contas públicas e a impossibilidade de se cumprirem com as obrigações mais simples e corriqueiras de uma administração pública, como pagar as contas em dia, praticar bons serviços públicos, atender a população com decência e dignidade, atender as demandas mais urgentes etc.

A realidade é que todas as denúncias de desvios de recursos são amplamente noticiadas e a repulsa aos seus executores é grande e exemplar, enquanto que a má gestão chega ao conhecimento apenas de algum com pouca repercussão, embora os efeitos sejam duradouros e intensos.

Competência administrativa é extremamente necessária, tanto para evitar a corrupção em todos os atos como para tomar as decisões acertadas e que contemplem o interesse público.

Entretanto, o que se vê, com relação aos cargos públicos, é a eleição doa mais simpáticos, mais populares, que sabem o que o povo quer ouvir e que representam um desejo de mudança sem mudar coisa alguma.

Argos Fayad

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