Confiança

26 de setembro de 2014

Dias desses estava retornando de Curitiba, dirigindo um carro que não tenho o costume e nem oportunidade de dirigir normalmente no meu dia a dia. A questão é que, pela potência, e diria também pelo conforto, não percebi e excedi o limite de velocidade, mas em seguida retornei. Fiquei a pensar no seguinte que o carro tinha todas as condições de andar naquela velocidade, e isso se chama confiar no carro. Colocar a minha vida na confiança de que o carro não terá nenhum problema mecânico ou de pneu, já que no meu guiar eu confio…

Parece que o mundo é um lugar de desconfiança absoluta, devido a tantas intrigas pessoais que ouvimos, vemos e presenciamos. Guerras que se travam, tantas brigas que vemos. É bíblico, diz-se que “maldito do homem que confia no homem”. Sei que tem seu contexto, mas a maioria leva ao pé da letra, e fico imaginando que devo estar amaldiçoado, pois tenho a estranha mania de acreditar nos outros. Vou normalmente na contramão, partindo do princípio de que a pessoa tem crédito até “pisar na bola”. Não saio na total desconfiança. É um comportamento meu, não exijo isso dos outros — certo ou errado, costumo agir assim.

Quantos momentos de felicidade plena tive com pequenos e grandes gestos de confiança na minha pessoa. Talvez nem tenha demonstrado, mas confesso que nesses momentos a alegria tomou conta por inteiro de mim. Isso porque a confiança me é algo muito, mas muito importante, nem tanto dos outros para comigo, mas da minha parte para com os outros.

Recentemente, no Dia dos Pais, além da alegria de passar o dia com um dos meus filhos e receber mensagens do outro que está distante, recebi uma mensagem de um anjinho dizendo que me amava como um pai. Quer confiança maior?

Diversos alunos e alunas que tive nesses vinte e poucos anos de sala de aula me confidenciaram tantas coisas mais do que pessoais, íntimas no mais alto grau. Sempre fiquei “orgulhoso” de mim, por instigar tal confiança e me cobrei ainda mais por saber existir tantos alunos e adolescentes que necessitam de alguém com quem contar, que muitas vezes senti o peso dessa responsabilidade, mas ao mesmo tempo me sentia gratificado. Perguntas de todos os naipes, seja do primeiro namoro, seja da primeira relação sexual, problemas com pai, mãe ou ambos, às vezes com o responsável. Assuntos diversos que só a plena confiança permite, não apenas perguntar, mas de ouvir e quase sempre acatar a sugestão, o que demonstra o grau de confiança, pois apenas desabafar é mais fácil, mas pedir e aceitar a opinião, mesmo que contrária, é outro nível de confiança.

Diversas vezes ouvi o comentário de amigos que têm criança pequena, pois eu sempre tento brincar, fazer amizade com elas e na grande maioria das vezes dá certo, e ouço: “engraçado, ela não vai com ninguém e foi com você”, “ela não é de dar confiança e foi contigo”, “fulano vai ficar bravo quando souber que ela foi contigo e não foi com ele”… é engraçado essa situação de confiança…

Nessa época de eleições estamos vendo o nível de confiança que os candidatos têm dos eleitores, o que nos deixa entre a cruz e a espada. Chegamos no ponto de que é uma das maiores virtudes o candidato se dizer honesto, quando esse é um princípio básico, que deveria ser de todos. Honestidade é um princípio básico e não uma virtude, mas…

Tem um pastor de uma igreja evangélica que está fazendo um enorme sucesso na internet, principalmente no Facebook, e num dos vídeos que nos faz rir e pensar e muito, ao mesmo tempo, ele fala a respeito da separação de casais, que chegam até ele e lhe falam que querem se separar, e ele com maestria diz, que juraram para Deus, “até que a morte os separe”, e insiste na pergunta se realmente querem se separar. Ele então roga a Deus que faça valer a promessa de até que a morte os separe e pede a Deus que fulmine ali mesmo o indivíduo (https://www.youtube.com/watch?v=32VrWl9NiBw). Realmente é muito engraçado a maneira dele falar, mas é bem verdade, e vemos as mais diversas formas de trair a confiança das pessoas, e creio que uma das piores seja a traição entre os casais. Eu creio que o casamento possa ser para a vida inteira, mas caso algo ocorra pelo caminho, que leve a separação, que não seja a traição. Sei que uma separação é muito complicada e dolorida, mas se o amor acabou ou os sonhos de ambos mudaram ao longo da jornada, a separação pode ser inevitável, mas acabar um relacionamento por conta da traição, talvez seja a pior quebra de confiança que alguém pode ter… alguém roubar é difícil, alguém mentir é difícil, alguém prometer e não cumprir é difícil, mas trair é, sem dúvida, a maior quebra de confiança que pode haver, e não é à toa, então, que um dos maiores exemplos bíblicos tem a ver com traição. A vida toda de Cristo foi exemplo de tudo o que se possa imaginar, e não é por acaso que Ele foi traído… pense bem nisso antes de agir, lembre que de tão importante esse assunto de traição e quebra de confiança mereceu um dos Dez Mandamentos, está lá no sétimo mandamento: “Não adulterarás”.

Alguns dizem, “o que os olhos não veem o coração não sente”, mas a vida sempre se encarrega de dar uma maneira de o coração sentir, ou seja, dos olhos verem…

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

Comentários