Campo de concentração Sztutowo

19 de dezembro de 2014

Stutthof (em alemão Konzentrationslager ou KZ Stutthof Stutthof) era um campo de concentração nazista localizado na cidade de Stutthof (Sztutowo, hoje, na Polônia), localizado a 35 quilômetros a leste de Gdansk. Já em 1936, as autoridades policiais alemãs da Cidade Livre de Danzig, controlava e mantinha listas de círculos poloneses potencialmente “perigosos”. Estas listas seriam utilizadas no caso de um conflito, como base para a preparação de uma lista de “elementos” polacos indesejáveis para serem presos e internados.

Em julho de 1939, o Wachsturmbann Eimann, composto por pessoal pertencente à SS-Totenkopfverbände, começou a fazer uma série de pesquisas para encontrar locais adequados para a instalação de novos campos de detenção, tendo em vista a aproximação de um conflito. A região ao noroeste da vila de Stutthof foi selecionada para a instalação de um campo em meados de agosto 1939 e imediatamente começou a trabalhar na preparação do local usando 500 prisioneiros das prisões de Gdansk. Em 2 de setembro de 1939, um dia após a eclosão da Segunda Guerra Mundial, os primeiros 154 presos foram transferidos para Stutthof, que assim se tornou o primeiro campo de concentração nazista localizado fora das fronteiras do Reich.

Os prisioneiros eram, em maior parte, membros da inteligência polaca e ativistas de organizações impopulares com o novo regime — até 1944, Stutthof não foi utilizado para a internação em massa de judeus. Até 15 de setembro, o acampamento tinha cerca de 5 mil detentos — entre eles alguns dos prisioneiros de guerra, e muitos professores, padres e cientistas poloneses — capturados na cidade de Gdansk e região da Pomerânia. Muitos deles foram executados pelas SS, que realizou as diretrizes de Hitler e Himmler para eliminar a inteligência polaca e, assim, evitar revoltas futuras.

Com a expansão do conflito, começaram a chegar deportados para Stutthof (bem como da Polônia) pela União Soviética, Dinamarca e Noruega; para a conclusão da guerra, foram internados no campo, vindos de 25 países diferentes. Enquanto isso, o campo mudou várias vezes sua estrutura administrativa: o campo de internamento de civis sob o controle do comandante da polícia de Danzig tornou-se um campo de “reeducação pelo trabalho”, administrado pela Polícia de Segurança. Em 7 de janeiro de 1942, o campo de Stutthof teve o seu nome definitivo, tornando-se de fato um konzentrationslager (campo de concentração).

Em 1942, ele também começou a internar e mulheres e em 1943 o campo original foi ampliado — é passado de 3,5 mil presos em 1940 para 57 mil em 1944 — e, como em outros casos, o complexo Stutthof expandido para incluir vários campos de satélite. Muitos presos foram empregados em empresas Erd- Deutsche und Steinwerke (DEST, sociedade alemã de fábricas de barro e tijolo) e Deutsche Ausrüstungswerke (DAW, indústria de equipamentos alemã) de propriedade da SS.

Em 1944, o uso de trabalho forçado para a indústria de armamentos Reich tornou-se cada vez mais urgente e em Stutthof foi construída uma fábrica de propriedade da Força Aérea Focke-Wulf.

As condições brutais de vida, a má nutrição e higiene inexistente geraram epidemias ciclicamente desencadeadas de tifo dentro do campo. Os doentes muito fracos para continuar trabalhando eram periodicamente “selecionados” e mortos com injeções letais ou, desde 1944, na câmara de gás no campo.

Provavelmente, no verão de 1943 (ou talvez início de 1944), o acampamento foi equipado com uma câmara de gás Zyklon B, que usou ácido cianídrico como um agente tóxico para os assassinatos, o mesmo utilizado em Auschwitz.
Ao mesmo tempo da instalação e utilização da câmara de gás começaram a chegar em Stutthof mais e mais transportes de judeus — que, assim, tornaram-se um percentual significativo de presos.

Visitando o campo recentemente, após passar o portão, chamado de “portão da morte”, ao entrar no primeiro pavilhão, deparei-me com uma ligação familiar, um memorial em homenagem a Sofia Karpinska, sobrenome comum na Polônia, mas que deixou-me profundamente emocionado. Ela então sobrevivente de uma família inteira arrasada pela inconsequência humana.

Everaldo Karpinski Kotrich

eve-ko@hotmail.com |

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