Campeões dentro do campo e no quesito esporte

11 de julho de 2014

Desde sempre eu ouço falar que política, religião e futebol não se deve discutir. Concordo e discordo ao mesmo tempo. Como? Se levar em conta que discussão é briga, estou fora. Agora, se levar em conta que discussão é trocar ideias, estou dentro.

Uma coisa sobre futebol, sobre a seleção — mas a seleção da Alemanha, mais precisamente. Lembrei muito meus tempos de treinamento de futebol quando garoto. Eu treinei e joguei alguns anos nas categorias de base do Coritiba, e a aula de futebol que os alemães deram no Brasil e no mundo foi bem além da tática.

Com toda a estrutura que tínhamos, que nem se compara com as de hoje, mas eram muito superiores aos da maioria esmagadora dos adversários da época, aprendíamos lições que servem para a vida toda, e uma dessas recordei. Tínhamos que ter respeito acima de tudo pelo adversário, jogar sério sempre. Muitas vezes ganhávamos de goleada, mas nunca tripudiávamos o adversário dando olé ou fazendo firulas, fazendo jogadas bonitas desnecessárias para humilhar os outros. Foi o que os alemães fizeram, ficaram com pena dos brasileiros, mas continuaram e, sem se esforçar muito, golearam.

Dava pra ver que os próprios alemães ficaram incrédulos com o que estava acontecendo e, ainda assim, mantiveram o respeito e continuaram jogando. Até mesmo quando a torcida brasileira gritava olé, trataram de se livrar da bola para parar aquela humilhação. Continuaram jogando bem por respeito, pois, se afrouxassem, seria menosprezar o adversário.

Lembro-me certa vez, num jogo que ganhávamos de goleada, creio que 6 ou 7 a zero, e um amigo fez uma bela jogada, driblando até o goleiro — era só fazer o gol. Mas parou sobre a linha fatal, virou de costas e fez o gol de calcanhar. O técnico, na hora, pediu para outro amigo entrar no lugar dele, sem mesmo fazer o aquecimento. Antes da saída da bola ele fora substituído, saiu o artilheiro… ninguém entendeu.

No próximo dia de treino, metade do horário foi sobre por que o artilheiro saiu, e por que ele ficaria dois jogos no banco de reservas. Aquele jogo foi 10×1, mas aquele gol foi menosprezar, humilhar o adversário, e nunca deve ser feito nem num jogo, nem na vida. Aquilo era desnecessário, poderíamos ganhar de 20 a zero, mas não humilhar, pois jogando sério demonstrávamos respeito. Foi o que os alemães fizeram, perante a incredulidade mundial. Eles respeitaram o Brasil e o nosso time, jogando sério.

Os alemães, para mim, já foram os campeões dessa Copa, dentro de campo e no quesito esporte, neste caso, de saber respeitar, não as cinco estrelas do Brasil, mas os profissionais dentro de campo… além do contrário do que se pensar, foram reis da alegria e simpatia fora do campo.

As brincadeiras, o sarro, ficam por conta das torcidas que devem se respeitar e aprender a ganhar e a perder, como em tudo é da vida.

Hugo Lopes Jr

hugo-ljr@hotmail.com |

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