Calma

25 de março de 2016

Certo dia um amigo muito querido, daqueles que a gente conhece e logo de cara já simpatiza, me presenteou com um livro.

Ele, assim como eu, é espírita e acredita que tudo na vida tem um porquê. E o livro não poderia ter outro tema que não esse.

O livro de título “Calma”, ditado pelo espírito Emanuel ao nosso saudoso Chico Xavier, nos traz a certeza de que tudo é passageiro e que todos os percalços que vivemos fazem parte da justiça Maior para nos auxiliar em nossa evolução.

Ganhei o livro poucos dias antes de iniciar meu tratamento de quimioterapia. E posso afirmar com a maior dose de certeza de que ele foi, em grande parte, o responsável pelos meus passos seguintes.

Logo na primeira aplicação da “vermelhinha”, em que eu já não suportava o peso e mal-estar do meu corpo, eu fiz uso desse bálsamo em gotas de esperança pela primeira vez.

Peguei o livro, e logo na primeira mensagem, Emanuel me dizia: “Sofrendo ou aprendendo, criando ou recriando, melhorando e renovando, errando ou reajustando, toda criatura prosseguirá sempre, em demanda aos objetivos supremos da Sabedoria Divina”.

Sabe quando a gente gosta muito de alguma coisa e a deixa guardadinha, bem pertinho, onde possamos olhar sempre?

Pois foi aí que deixei o “Calma” na minha mesa de cabeceira. Não precisei ler o livro todo para ter energia e paciência para suportar aqueles instantes que pareciam não ter fim.

Durante noites em que o meu único pensamento era que o dia seguinte não passaria de mais sofrimento, eu, deitada na minha cama, virava para o lado, olhava aquele livro e lá estavam as letrinhas: “calma”.

Uma imagem de Jesus estampa a capa, em uma imagem colorida, mas simples. Ele segura uma pombinha branca e, apontando o dedo, como que lhe ensinando uma tarefa, lhe dizia “calma”.

E naqueles dias, o passarinho era eu. A mensagem de calma era para mim. E o “Calma” fez seu trabalho com dedicação, ficando ao meu lado todos esses dias de tratamento, me acompanhando nas mais ferozes desesperanças.

É ao “Calma” que devo o silêncio, a espera e a lição: “Quando possível, habitua-te a entesourar paciência, com a qual disporás de suficientes recursos para adquirir as forças espirituais  de que necessitarás, talvez, para a travessia de grandes provas, sem risco de soçobro nas correntes do desespero”.

Francini Franco do Prado

francini.adv@hotmail.com |

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