Boas e más ações

27 de março de 2015

Desde crianças, somos ensinados que se praticarmos boas ações devemos ser parabenizados e elogiados, e que ao final de nossas vidas, iremos para o céu.

Mas, se ao contrário, as ações forem más, devemos ser punidos e ao final iremos pra o inferno.

Como ninguém é santo, ou perfeito, passamos nossa existência entre praticar boas ações e algumas não tão boas, ou más ações.

O que irá fazer a diferença é a soma de tudo isso, para verificarmos se o saldo é positivo ou negativo, e aí pesa muito a espécie e a intensidade de nossos atos, seja do lado positivo ou do negativo.

Eu não diria que fulano ou fulana é uma boa pessoa, ou boa gente, na linguagem coloquial, apenas porque o saldo é positivo, pois para que isso ocorra a nota final  deve  ser superior a 9, numa escala que vai até 10.

Sempre foi assim e assim continuará, pois não se pode julgar alguém apenas pelos erros que ele comete, mas também pelos acertos, pois, como diz a sabedoria popular: ninguém é 100% ruim ou 100% bom.

Faço essas observações por causa da recente polêmica do título de cidadão são-mateuense dado a Paulo Roberto Costa, então diretor da Petrobras, e que, por meio de sua ação junto à empresa, destinou vultuosos recursos ao nosso município.

Segundo consta, esses recursos eram da ordem de 8 milhões de reais, sendo que apenas a metade foi realmente destinada ao município (R$ 4 milhões), e dizem as más línguas, que a outra metade ficou na vontade e na má gestão municipal da época.

Não cabe aqui dizer se o dinheiro foi bem investido ou que outra coisa poderia ser feita, pois a importância era significativa e nunca se conseguiu valor semelhante dos governos, estadual ou federal.

Por esse auxílio, a Câmara Municipal e o prefeito aprovaram lei nesse sentido, o que é a mais alta homenagem que se pode fazer a alguém em vida.

Na história do Município, muitos cidadãos ou cidadãs que receberam o título não o mereciam, sendo fruto do puxa-saquismo de algum vereador ou prefeito, mas, no caso de Paulo Roberto, as circunstâncias apontavam para uma justiça nessa concessão.

Anos mais tarde, descobre-se que referido cidadão era um dos principais ladrões da Petrobras, comandando um esquema de corrupção poucas vezes visto na história do País, o que torna uma vergonha para todos nós, são-mateuenses, em tê-lo como nosso concidadão, ou conterrâneo.

Essa é a opinião da grande maioria.  O fato é que o Paulinho, como é chamado nos círculos da empresa, querendo livrar sua cara, está denunciando à justiça, muito do que sabe, auxiliando na apuração da verdade e permitindo que muitos culpados também sejam punidos. Esse fato, também não deixa de ser uma boa ação, da mesma forma que a denúncia de Roberto Jefferson sobre o Mensalão.  Não fosse ele, talvez nada fosse descoberto.

Entretanto, o ex deputado Jefferson, também foi punido e integrou a chamada “Turma da Papuda”. Talvez por isso, nós, são-mateuenses, também devamos dar a nossa punição ao Paulinho, cassando a homenagem que lhe foi feita há alguns anos atrás.

 

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

Comentários