Anjos

18 de dezembro de 2015

Esses dias eu me peguei olhando para essa página em branco e pensando no que eu poderia escrever. Já contei quase tudo o que se passou comigo durante essa fase difícil da vida, desde o diagnóstico, com as enxurradas de lágrimas e dúvidas, até agora, quando estou vendo o fim do tratamento se aproximando.

Falei sobre a importância da prevenção, dos cuidados durante o tratamento, da atenção dos entes queridos e da fase de ausência de sonhos e das novas realizações.

Mas tem uma coisa que eu penso todos os dias e ainda não havia escrito uma palavra: a força dos meus anjos. Não há outro jeito de descrever os enfermeiros que cuidam de mim nas sessões de aplicação dos medicamentos. Sim, são anjos!

Quando eu comecei a fazer o tratamento, eu, ainda tímida, tentava interagir aos pouquinhos com eles. E com o passar de longo ano, com as muitas sessões, pude descobrir um pouco de cada um e transformar aqueles momentos em instantes de admiração.

Era impossível não rir com a Cris. Uma menina doce, que trabalhava o dia inteiro e ia para a faculdade no período da noite. Tinha uma gargalhada indescritível e sempre me trazia um cobertor.

Zé era mais fechado, mas sempre vinha me cumprimentar com sorriso no rosto e beijava a minha mão como um cavalheiro. A Cida sofreu comigo. Certo dia, ela não conseguiu encontrar uma veia e quando achava, a veia estourava. Ela fazia carinho na minha mão e rezava para que a picada da agulha não doesse. “Dói em mim, Franzoca”, dizia ela.

Cris, Zé e Cida já não fazem parte da equipe do setor de oncologia em que faço o tratamento, mas são anjos que nunca vão sair da minha memória.

Perdi o medo das agulhas e o culpado é o Ivan. É ele quem, na maioria das vezes, faz as aplicações dos remédios em mim. Amigo torcedor do Coritiba, ele divide comigo as frustrações do nosso time.

A Ana, enfermeira séria, dedicada e sempre muito organizada, é quem marca as minhas próximas idas ao hospital.

Sabrina tem olhos verdes. Precisam ver que olhos lindos e brilhantes.

E o que falar da Rosana? Durona! Daquelas que a gente sente medo, mas depois que conhece sabe o coração mole que tem. É apaixonada por animais e música.

Todos são anjos que Deus coloca no caminho da gente para torná-lo mais fácil. Imagino todas as dores que eles veem durante seus dias de trabalho, e não posso deixar de me orgulhar de todo o amor que sai de seus corações.

Não há um jeito para agradecer a dedicação dos anjos, não só comigo, mas com todos os vários pacientes oncológicos. Peço a Deus, todos os dias, para que os abençoe, pois são merecedores de todas as luzes e alegrias que a vida possa lhes dar.

Francini Franco do Prado

francini.adv@hotmail.com |

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