Agora é governar

07 de novembro de 2014

Já se disse por aí que o Brasil, por sua imensidão e diversidade cultural, é um país ingovernável de forma democrática.

Talvez seja por isso, ou pensando dessa maneira, que alguns brasileiros desavisados pregam, pelo campo livre da internet, um “retorno à Ditadura” ou uma “volta dos militares”, como uma solução para nossos problemas.

Para quem viveu esse período, de 1964 a 1985, e conheceu os mandos e desmandos da época, com perda das liberdades essenciais, imposições sem nenhum sentido, tutela da população sem ouvir sua opinião, prática de torturas e mortes, censura à imprensa, cerceamento aos direitos civis e humanos, e tantas outras práticas inaceitáveis, é certo que a pior democracia, com todos os seus defeitos, é muito mais aceitável que a melhor Ditadura.

Com o acirramento dos ânimos eleitorais, provocado pela campanha e pelo uso irresponsável das redes sociais e a ampla participação popular, levaremos algum tempo para encontrar a serenidade e o bom senso indispensáveis a todas ações humanas.

Passadas as eleições, o governo eleito pela maioria deve cumprir com seu papel, que é governar para todos, mas principalmente para aqueles que mais necessitam do governo.

A divisão que ocorreu, entre pobres e ricos ou entre o Norte e o Sul, para simplificar, não significa uma separação entre certos e errados, porque sempre há boas maneiras de justificar um voto.

Ambos os candidatos que ficaram para a disputa final, como já foi dito aqui nesta coluna, possuem qualidades e defeitos e o certo é que ninguém governa sozinho, e os grupos políticos que governam e os que fazem oposição, igualmente são compostos de pessoas bem intencionadas e de outros que querem apenas tirar proveito pessoal.

Enfim, qualquer que fosse o resultado, o Brasil e o mundo, continuam como estão.  A permanente luta do bem contra o mal, do justo contra o injusto, do certo contra o errado.

A grande dificuldade, também permanece, pois cada um entende de sua forma e dentro da sua convicção pessoal todas essas questões. O que precisamos é não nos matar e nem nos agredirmos para defendermos nossos pensamentos e ideologias.

É hora de pacificação e de buscarmos as soluções benéficas em conjunto.

Passada a batalha, a hora é de união em busca dos objetivos comuns e verdadeiros.

Não é necessário nos despirmos de nossas opiniões e pensamentos para colaborarmos uns com os outros, pois essa ajuda mútua traz benefícios a nós mesmos.

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

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