A moral e a lei

27 de fevereiro de 2015

Existem leis imorais, assim como injustas, ilegítimas, impróprias, exageradas etc. Enfim, nem tudo que é legal é bom ou adequado.

Num momento em que nosso estado do Paraná, passa por grandes dificuldades de ordem econômica, causadas pela péssima gestão dos recursos públicos, somos surpreendidos pela criação de mais alguns privilégios a determinadas classes do serviço público estadual.

Como se não bastassem os altos salários percebidos, os ilustres conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, em busca da equiparação com a magistratura e o Ministério Público, votaram em seu favor pelo recebimento do auxílio-moradia.

Enquanto o estado, através de seu governador Beto Richa, alega não ter dinheiro para pagar professores, manter contraturnos, pagar pequenos agricultores, oficinas e outras despesas necessárias, as classes mais abastadas  querem simplesmente ampliar os seus ganhos, sem dar a mínima para a realidade.

Sempre foi assim.  Essa é a cultura brasileira.  As tetas gordas do governo só servem para mamar, mamar, mamar.

Se de um lado, temos a corrupção, que consome volumosos recursos em tosos os níveis da administração, do outro temos a “lei” que garante privilégios inaceitáveis e que, em última análise, também sangram os cofres públicos da mesma maneira.

Dessa forma, o estado, que deveria ser de todos ou beneficiar a todos, é tomado por alguns que se beneficiam ao extremo, tornando os demais cidadãos de segunda classe.

Assim caminha a humanidade, e a ditadura por qual passamos de 1964 a 1985, por 21 anos consecutivos, não conseguiu alterar e nem a democracia de lá para cá, quase 30 anos, também não conseguiu.

O que fazer?

Tomar vergonha na cara é a primeira medida, mas nesse caso, trata-se de um ato pessoal, particular, não se pode obrigar uma pessoa a ter vergonha de determinadas situações, pois isso depende de sua formação moral.

Formação moral e ética, depende da família e da escola. E como conseguir isso se a família está conturbada e a escola cada vez mais deteriorada pelo desgoverno?  Talvez vendo bons exemplos, talvez procurando se educar mais, ter mais consciência, aproximar-se da religião, talvez. Ter mais compaixão e sensibilidade.

O editorial de nosso mais importante jornal (A Gazeta do Povo, edição de terça feira, 24 de fevereiro) anotou: “Auxílio-moradia para o TCE”, e destacou: Buscar a “isonomia” com o Judiciário e o MP significa igualar-se na imoralidade, no desprezo pela sociedade, na fome por privilégios.

Perfeito!  Esse o verdadeiro papel da imprensa livre.  Apontar os erros e informar devidamente, mesmo que isso custe o dissabor de enfrentar os donos do poder e do estado, que tudo fazem para mantê-lo, mesmo que em detrimento de toda sociedade.

Comprova-se, mais uma vez, que quando se trata de dinheiro público, todos são iguais e a culpa não é só dos “políticos”, como dizem muitos por aí.

Argos Fayad

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