A menina dos olhos

21 de novembro de 2014

Vários são-mateuenses ilustres, entre eles o ex-vereador, comerciante e defensor da cultura polonesa, Francisco Caminski, ao referirem-se a Petrobras, tratam-na como a “menina de nossos olhos”, devido à importância da mesma para nosso município.

Não há questionamento com relação ao importante papel da empresa para todos nós que aqui vivemos, e nessa hora em que nossa maior empresa passa por uma investigação policial histórica, é preciso não confundi-la com alguns de seus dirigentes e funcionários.

A Operação Lava Jato já representa um marco na história do Brasil, quanto à apuração e ao combate à corrupção, que está arraigada na nossa política, mas se alastrou e permeou toda sociedade brasileira.

Vamos deixar a ingenuidade de lado e a exploração política partidária que se faz no momento, pois a verdade é que, historicamente, desde a proclamação da República, grande parte de nossos governantes não tem o menor amor pelo país e muito pouco se importam com a maioria ou com os desmandos e malfeitos feitos em detrimento do povo e da Pátria.

Agir só no interesse próprio. Não ter amarras de fundo moral.  Desprezar a legalidade e a ética. Não se importar com a Nação. Não ter o menor escrúpulo. Colocar o dinheiro acima de tudo. São alguns dos defeitos de personalidade e de caráter, comuns a todos aqueles que se desviam do bem e praticam atos de corrupção.

Quem conhece a fundo o serviço público sabe que não basta efetuar um “certame licitatório” para assegurar o menor preço e o melhor serviço.

Todas as obras superfaturadas da Petrobras e de toda administração pública são realizadas por meio de licitação, e portanto, aparentemente legais.

Os Tribunais de Contas se preocupam apenas que os gestores cumpram parte da lei, condenando veementemente quando a licitação não é realizada, sem verificar em nenhum momento se o preço praticado foi razoável ou consistente.

Cumprindo-se as chamadas “formalidades legais”, o resto não interessa, é o que dizem a maioria desses fiscais de mentira. Cuidam apenas da forma e nunca da essência.

O serviço público em geral e as estatais são useiros e vezeiros em praticar irregularidades e desvios, sendo muito dificilmente descobertas a mutretas, e os concorrentes, que deveriam uns fiscalizar os outros, contentam-se em receber parte da propina para ficarem calados, ou então participam do negócio de forma secundária.

A boa notícia desse escândalo é que será verdadeiramente apurado até o fim, e pela primeira vez, os corruptores, os donos do dinheiro, também estão presos e serão processados. Está todo mundo de olho.

Muitos criticam o instituto da delação premiada.  O mesmo não é perfeito e nem 100% isento, mas ainda não inventaram uma forma melhor de se apurarem crimes e abusos, e se apenas a delação vier desacompanhada de qualquer outra prova, não deverá ser considerada.

Tem muita coisa errada nesse país e não podemos nos calar e nem aceitar e se omitir, como diz a letra da canção, é preciso honrar a vida.

Argos Fayad

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