106 anos

19 de setembro de 2014

Parece que foi ontem.  A frase é surrada, mas representa com clareza esse mais de século de criação e existência de nosso querido município.

Para nós, humanos, quando muito ultrapassamos os 80 anos, um século é bastante, mas para uma cidade é quase nada.

Existem no mundo cidades que ultrapassam vários milênios de existência, principalmente na Ásia e Oriente Médio, como Damasco, na Síria, Istambul na Turquia, Roma na Itália.

O chamado Novo Mundo, foi “descoberto” há pouco mais de 500 anos e isso é apenas um sopro em termos de história da humanidade.

Apesar de sermos bastante jovens, já temos uma bonita história que merece e precisa ser preservada. Entretanto, a preocupação com os fatos e acontecimentos passados, e com a atuação dos que nos antecederam nesse local, é mínima ou bastante reduzida.

Poucos entre nós valorizam devidamente a história e os fatos pretéritos, como se fossemos frutos do hoje e do agora, quando é bastante claro que somos o resultado do ontem e do antes.

A Casa da Memória está aí, para receber o nosso acervo histórico e cultural. Para lembrar do passado e de nossos antecessores.  Para contar a verdadeira história do município, do São Mateus do Sul.

Entretanto, o apoio e a atenção que merece, com suas dedicadas funcionárias, é pequeno e irrisório, pois, afinal, cultura não gera reconhecimento e nem votos, é melhor investir em divertimento público, trazendo-se artistas de fora, custe o que custar, mas que nada tem a ver conosco.

Enquanto isso, nossas tradições e nosso passado são esquecidos. Nossos vultos históricos não são lembrados, nossos marcos físicos são destruídos, e até personagens importantes da década passada já são olvidados como se nunca tivessem existido.

Nesse mundo do hoje e do amanhã, apenas do amanhã, o dia seguinte e não da próxima década ou século, tudo é passageiro, tudo é supérfluo e nada é importante.

Devagar, vamos perdendo nossa identidade, esquecendo nossas raízes e não sabendo onde queremos ir.

Estamos verdadeiramente perdidos.  Sem um passado conhecido e sem uma meta ou objetivo permanente, ao sabor do vento, das tempestades e intempéries.

Como diz a letra da música, “deixa a vida me levar”, sem rumo, “sem lenço, sem documento”, como diz a outra letra.

Nesse momento, em que o município onde vivemos, e a maioria nasceu, faz aniversário, é importante fazer esse tipo de reflexão, pois ainda é tempo de acordar e dar valor ao que realmente é importante e não nos deixarmos cair na superficialidade, na falta de interesse e, porque não dizer, na ignorância e na mediocridade.

Felizmente ainda temos exemplos positivos como o do então “estrangeiro” e hoje “concidadão são-mateuense”, o Gerson de Souza, que veio das “Farroupilhas”, para nos ensinar sobre nossa história.

O seu livro, “A estrela de Jacó”, é indispensável para quem quer conhecer nossa história, um pequeno capítulo de nossos 106 anos.

Argos Fayad

argosadv@gmail.com |

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