SIX corre sério risco de ser desativada, afirma vereador

15 de janeiro de 2016

Para Omar Picheth, é necessária urgente mobilização de todos os setores da comunidade

 

DSC_0282Foto: Arquivo/jornal ACONTECEU

 

A Unidade de Industrialização de Xisto (SIX) de São Mateus do Sul pode estar com a corda no pescoço.  A ameaça à usina da Petrobras, que representa há anos um dos cursores da economia local, mas que já não vinha mais aparentando o mesmo brilho para a estatal, é mais palpável neste início de 2016, quando a hipótese de desativação da unidade está sendo seriamente considerada. O alerta foi dado pelo vereador Omar Picheth, que acredita ser hora da comunidade se mobilizar.

A informação é de que existe um grupo de estudo técnico em andamento, conduzido pela sede da empresa, demonstrando fortes intenções no sentido da desativação. O estudo acontece num momento em que a estatal segue uma postura contida, de menos investimentos, reduzindo a atividade exploratória para focar na produção em águas profundas, e aumentando a venda de ativos. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo na semana passada, que ouviu fontes envolvidas na elaboração do documento, o novo plano de investimento da Petrobras deverá ser ainda mais enxuto que o de 2015.

 

Impacto

Menina dos olhos de São Mateus do Sul, a SIX já vinha há algum tempo gerando incertezas por conta da diminuição do ritmo, fim de contratos com terceirizadas e redução dos impostos gerados. A crise da Petrobras alavancada em 2015 refletiu até mesmo no avançado centro de pesquisas da unidade, que sofreu drástico corte de investimentos. Ainda em 2015, o prefeito de São Mateus, Clóvis Ledur, queixou-se da significativa redução do Imposto Sobre Serviços (ISS) da Petrobras como baque para o orçamento municipal, e o grande número de funcionários terceirizados fora da SIX, devido a contratos não renovados, assombrou o aumento do desemprego local.

Ainda assim, a SIX representa aproximadamente 40% da arrecadação total de impostos de São Mateus do Sul e o município recebe em torno de R$ 2,5 milhões pelo pagamento de royalties a cada ano. São quase 400 empregados próprios, 700 terceirizados internos e 150 terceirizados externos, além dos empregos indiretos gerados pela atividade, segundo levantamento do vereador disponibilizado ao ACONTECEU. É na unidade, ainda, que ocorre o sistema de processamento de borra de petróleo, que gera economia e ainda receita para a Petrobras na venda do óleo recuperado.

Apreensivo, Picheth cita os demais reflexos que a descontinuidade da SIX poderia gerar, em relação aos esforços dos agricultores do entorno da SIX que tiveram de abandonar suas terras para dar lugar ao avanço da mina, e também ao comprometimento de outras empresas cuja atuação está relacionada às atividades da unidade, como a Ravato, a Microxisto e a Incepa.

“A SIX não é uma unidade deficitária, apenas não proporciona os altos lucros desejados pelos acionistas. Entendemos que a direção da Petrobras não pode tratar essa decisão com a simplicidade que está tratando”, comenta o vereador, que acredita ser necessária a mobilização da população no sentido de defender a unidade. “Devemos exigir dela [da Petrobras] um mínimo de análise concreta, que envolvesse consulta à sociedade, pois ela não tem o direito de vir aqui, expulsar nossos agricultores dos seus lares, destruir nossas terras produtivas, e, do nada, dizer que está indo embora porque o negócio deixou de ser atrativo”.

 

Intervenções

O jornal ACONTECEU procurou o prefeito Clóvis Ledur para comentar o assunto, e ele revelou ter conhecimento sobre a hipótese da desativação da SIX por meio de informações extraoficiais de pessoas do meio político ligadas à Petrobras. Receoso, afirma que já se mobilizou. “Fiz uma intervenção imediata com grupos de pessoas que nos representam junto à Petrobras e ao governo”, diz, citando o ex-integrante do Conselho Administrativo da Petrobras, Márcio Zimmermann; a senadora Gleisi Hoffmann; e o deputado líder da bancada paranaense na Câmara Federal, João Arruda. “Os três estão acompanhando tudo de perto. Faremos uma intervenção imediata junto ao presidente da Petrobras”.

Segundo Ledur, existem quatro linhas de estudo envolvendo a SIX: melhorar a eficiência; o fechamento total; o fechamento parcial; ou a venda. Apesar do peso para a desativação, o prefeito não é pessimista. “No passado, quiseram desativar a pesquisa na SIX, que sempre foi muito bem vista. Embora tenham diminuído muito os investimentos na área, ela ainda continua. Nós temos muita força política e faremos de tudo para que as coisas continuem”.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Petrobras negou que haja um grupo de estudo considerando a descontinuidade das atividades da SIX. Informou, ainda, que promoverá uma parada geral de manutenção no dia 13 de fevereiro, envolvendo trabalhadores contratados especialmente para a atividade, e que a produção deverá ser retomada em 30 dias.

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