Quem se lembra? O Orkut e as comunidades são-mateuenses

11 de julho de 2014

Com o fim anunciado de uma das redes sociais mais famosas do Brasil até anos atrás, ficarão para trás também antigos grupos de discussão sobre assuntos bem são-mateuenses: do mendigo tio João à benzedeira Tiloca, o Orkut homenageou pessoas e ajudou outras tantas a se reencontrarem na cidade

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Nos últimos dias, muita gente provocou um momento de nostalgia revirando o antigo perfil do Orkut, depois da notícia de que a rede social será desativada. Já abandonada por muita gente, o site, no entanto, foi um dos principais pontos de relações on-line no Brasil anos atrás, acessado por milhões de pessoas que trocavam recados, participavam de comunidades e conferiam a “sorte do dia” diariamente. Mas além dos recursos gerais, houve quem utilizava a rede social, por exemplo, para reencontrar parentes na cidade, ou discutir sobre assuntos que só são-mateuenses compreendiam: de comunidades abertas sobre São Mateus do Sul a homenagens a personagens inusitados do nosso cotidiano, o Orkut foi palco para muita interação entre são-mateuenses.

Com 3,5 mil membros, a comunidade “São Mateus do Sul” continha fóruns de discussão, espaço para divulgação de eventos que iriam acontecer na cidade e anúncios de compra e venda. Mas também era visitada por muitos moradores de fora, em busca de parentes distantes e antigos amigos que ainda residiam em São Mateus. Ajudou muita gente a se reencontrar.

Mas as comunidades mais inusitadas giravam em torno de ilustres personagens são-mateuenses, homenageados de forma carinhosa pelos internautas locais. Quem lembra de Otília Marques, antiga benzedeira de São Mateus, mais conhecida como Tiloca? A comunidade “Pacientes da Tiloca” fazia seus membros se divertirem recordando o tempo de criança, quando seus males eram cuidados pelo trabalho da benzedeira, que em sua vida, pode-se dizer, recebeu boa parte de São Mateus do Sul em sua casa. O jornalista Luiz Fernando Riesemberg, repórter do jornal ACONTECEU naquele período, lembra quando cedeu a foto da homenageada — antiga entrevistada — aos criadores da comunidade. “Antes, utilizavam a imagem de uma mãe de santo”, diverte-se.

Outra figura homenageada foi o “Tio João”, mendigo que perambulava pelas ruas de São Mateus esbanjando simpatia, na companhia de sua cachorra Raposinha. “A comunidade Tio João foi criada na época para o pessoal interagir e contar as ‘proezas’ dele”, conta Cléverson Portes, criador da página. “Ele na época apareceu em São Mateus, vindo de Cascavel, e sempre estava no meio do povo, fazendo artesanato com latinhas de cerveja, cantando músicas. Sempre falava que ia casar com a irmã de quem ele estava conversando, chamando-o de cunhado, mas sempre com muito respeito”, completa, se divertindo ao lembrar.

O Orkut sai oficialmente do ar em 30 de setembro, e até, quem sabe, valha a pena uma última visita, para recordar. “Acho que o mais legal do Orkut foi proporcionar o reencontro com amigos de infância e diversas pessoas que não víamos há muito tempo, por terem ido embora da cidade. Isso vai ficar de lembrança”, descreve Luiz Fernando. “As comunidades do Orkut foram, para a época, o que o WhatsApp é hoje. Reuniam os grupos de pessoas interessadas em determinados assuntos. Foi muito bom, mas como nessa área há uma dinâmica muito grande e a cada dia estão surgindo novidades, seu tempo de vida acabou e agora nos resta imaginar o que virá pela frente”, opina Cléverson.

Imagens: Reprodução/internet

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