O semeador de uma história

11 de março de 2016

Morador teve o cuidado de cultivar sementes do antigo carvalho da praça Alvir Sérgio Licheski, e agora colabora pela preservação de um dos símbolos da imigração polonesa em São Mateus do Sul

 

DSC_0807Foto: jornal ACONTECEU

 

A queda de uma árvore, num temporal de agosto de 2011, gerou lamento em São Mateus do Sul. Também pudera: não era uma árvore qualquer. Naquele dia, ia ao chão um dos principais símbolos da imigração polonesa em São Mateus do Sul — o centenário carvalho da praça Alvir Sérgio Licheski, ou Praça do Carvalho, que teria sido plantado no início da colonização polonesa na cidade. Mas, quase cinco anos depois, o simbolismo sobrevive, graças à iniciativa de pessoas como João Maria Guimarães, de 84 anos, que resgatou sementes do antigo carvalho e permitiu a preservação dessa história.

O carvalho chegou a ser tombado como patrimônio histórico do Paraná em 1990, devido à sua importância como símbolo da imigração polonesa. Segundo dados não oficiais, o pé teria sido plantado pelo imigrante João Puchalski, por volta do ano de 1892, após ter sido trazido por ele direto de sua terra natal. Desde então, cresceu e se desenvolveu desafiando-se pelas condições não compatíveis com o seu habitat natural. Passou dos cem anos em ambiente urbano e por muito tempo ao lado do antigo Clube Unbenal, que animava as noites são-mateuenses.

Admirando a beleza e singularidade da árvore polonesa, o carpinteiro aposentado quase todos os dias passava pelo carvalho e observava, a fim de encontrar sementes. “Há muito tempo não germinava, até que num ano finalmente germinou. Então, pela curiosidade, peguei os ‘cachimbinhos’ e fiz os canteiros em casa”, conta. Com sua curiosidade despretensiosa pela árvore, João Maria, sem imaginar, colaboraria por assegurar a continuidade daquele símbolo da colonização.

As mudas se desenvolveram e, pouco a pouco, foram ganhando novos endereços. Estão distribuídas em praças como a Nossa Senhora da Conceição, que abriga o Chimarródromo,  junto ao Terminal Rodoviário e ao lado da Casa da Memória, além da área da Capela João Paulo II, na vila Nepomuceno e na Água Branca. A última muda já está vistosa no quintal de João Maria, e, a pedido, será levada a Passo Fundo (RS), para ser plantada em homenagem aos poloneses que lá se instalaram.

Presidente da Fundação Cultural de São Mateus do Sul, José Carlos Janoski conta que, tempos trás, vinha procurando mudas daquela variedade e teve dificuldade de encontrar. “Foi então que descobri que ele era o único que tinha mudas daquele carvalho centenário, tão representativo para a cidade. Hoje agradecemos muito por ele ter tido o cuidado de cultivar as mudas, que hoje enfeitam as praças da nossa cidade”, comenta.

Orgulhoso, o aposentado admira o último “filho” do carvalho centenário que ainda está em seu quintal e fica satisfeito ao ver que as mudas se desenvolveram. “É uma árvore grande, forte. Se preservarem, vai durar muitos e muitos anos”, ressalta João Maria. E ele não descansa. Revela que já está de olho no carvalho existente na Praça do Iguaçu, plantado há mais tempo por Julio Skalski, que logo pode revelar seus “cachimbinhos”. “Assim que aparecerem, vou recolher e fazer a mesma coisa”.

 

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