O resgate de uma nobre trajetória

19 de fevereiro de 2016

2º Encontro Regional dos Tropeiros permitiu aos participantes compreender a contribuição dos tropeiros para o desenvolvimento da região e conhecer hábitos e costumes

 

DSC_0222Fotos: jornal ACONTECEU

 

Durante uma semana, foi possível perceber uma movimentação diferente pela cidade. Por alguns momentos, os carros deram espaço para cavalos, as roupas do dia a dia deram lugar a vestimentas tradicionais, sabores peculiares se revelaram e as atenções se voltaram para uma cultura do passado, justamente com a intenção de não deixá-la abandonada no tempo. O 2º Encontro Regional dos Tropeiros atraiu amantes de uma boa tropeada e também o público leigo, que teve a chance de compreender melhor a contribuição dos tropeiros para o desenvolvimento da região e encantar-se ao conhecer seus hábitos e costumes.

Organizado há quase um ano, o evento envolveu diversas entidades locais que puderam contribuir, de alguma forma, para que o encontro fosse o sucesso que se tornou. O objetivo foi reconhecer o legado do tropeirismo para a região, em especial São Mateus do Sul, cujas comunidades do interior foram trajeto dos tropeiros como variante da Estrada de Palmas, e onde resquícios de sua cultura permaneceram não só pelas estradas, mas na memória dos moradores, que presenciaram e conviveram com as tropas.

 

Tropeadas

Naturalmente, o evento foi aberto com uma grande tropeada, no dia 7, que partiu do centro da cidade até a igreja da vila Nepomuceno, onde uma missa foi conduzida pelo padre Fabiano Bulcovski. O envolvimento da fé na cultura tropeira também foi representado com a imagem de São Sebastião, sempre carregada pelos cavaleiros. O santo foi doado pela família de Eurico Ferreira da Silva, estusiasta do tropeirismo que faleceu no ano passado.

Outra tropeada envolveu os participantes desta vez no sábado (13), quando eles partiram da vila Nepomuceno sentido Emboque, para um acampamento tropeiro, antes da grande festa do dia seguinte.

 

Palestras

Importantes pesquisadores da história do tropeirismo marcaram presença em São Mateus do Sul ao longo da semana. Na quinta-feira (11), Terezinha Wolff foi recepcionada na Casa da Amizade para falar um pouco do seu trabalho relacionado ao reconhecimento do vau do Iguaçu. Na sequência, os participantes provaram a culinária tipicamente tropeira, apresentada por Sérgio Buch. “Era basicamente a comida cabocla, da fazenda, que eles levavam para onde iam, mas pensada para resistir à viagem, e que acabou influenciando as regiões onde passavam”, explicou, ensinando a fazer o tradicional angu caboclo.

No sábado (13), um simpósio apresentou diversos aspectos do tropeirismo sob o olhar dos pesquisadores, no Centro da Juventude. Joaquim Osório Ribas, Fernando Tokarski, Henrique Paulo Schmidlin e Aimoré Índio do Brasil falaram sobre o tropeirismo no Brasil e na região, sobre preservação e turismo e sobre as curiosas expressões linguísticas originadas nas tropas. “É flagrante a contribuição do tropeirismo na linguagem regional, disseminando-se naqueles vocábulos próprios da lida com os animais e a rusticidade da vida campeira. A linguagem tropeira está presente no cotidiano regional como um fenômeno sociolinguístico que em muito superou o próprio tropeirismo, deixando expressivas marcas na fala de boa parte da população do Paraná e de Santa Catarina”, explicou Tokarski, sobre expressões como “andar por cima da carne seca”, “dar com os burros n´água” e “levar um pito”.

 

Marco dos Tropeiros

A contribuição material deixada pelo Encontro dos Tropeiros está localizada no Emboque, em um trecho pertencente à antiga rota. Trata-se do Marco dos Tropeiros, um monumento em reconhecimento à saga dos tropeiros que contribuíram pelo início do povoamento de São Mateus do Sul, e em especial ao tropeiro Mathias Franco Sobrinho, que percorria os trajetos com grande quantidade de animais, como tropeiro comerciante que era.

Durante a inauguração, na tarde de sábado (13), a neta de Mathias, Natália Franco Orloski, falou um pouco sobre a trajetória do avô e sobre a importância de manter viva a lembrança do tropeirismo. “Os tropeiros foram sinônimo de coragem e persistência, vencendo longas distâncias sobre o lombo de um animal. E desse modo, vários lugares surgiram ao longo das rotas que percorriam. Hoje homenageamos esses homens que escreveram seu nome na história e nos deixaram uma herança de culturas e costumes”.

 

Encerramento

O evento terminou no domingo (14), com a chegada das tropas para a Festa de São Sebastião, que movimentou a comunidade do Emboque durante todo o dia.

Para o presidente da Fundação Cultural de São Mateus do Sul, José Carlos Janoski, o evento proporcionou uma grande parceria em prol da valorização da cultura da região. “Sentimo-nos muito orgulhosos e gratos a todos pela participação, empenho e espírito cooperativo nesse momento ímpar para São Mateus do Sul. Assim como eles [os tropeiros] demarcaram nossa terra em sua caminhada, e depois os imigrantes poloneses, vamos caminhando firme e assim construindo a nossa cidade, mostrando cada vez mais o potencial cultural e turístico”.

Durante vários momentos da programação, foi lembrado o esforço e dedicação de Francisco Caminski, um dos principais idealizadores do Encontro Regional dos Tropeiros, que desde o início contribuiu com esmero pela realização do evento, e não pôde estar presente por questões de saúde.

 

 

Exposição “Bruaca Cultural” continua

Em referência a um dos principais utensílios dos tropeiros, a exposição “Bruaca Cultural” apresenta, na Casa da Memória, as bruacas e muitos outros objetos típicos. Aberta na quinta-feira (11), a exposição segue até o final de março com acervo próprio e peças cedidas por amantes do tropeirismo, especialmente para a ocasião. A visitação é gratuita e pode ser feita das 8h às 17h. Para escolas, é necessário agendamento.

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