NOSSO COMÉRCIO: À beira dos cem, descanse, Casa Bronze

19 de setembro de 2014

Loja mais antiga de São Mateus do Sul em funcionamento, Casa Bronze se aproxima do centenário próximo de parar suas atividades

801casa-bronze

O sonho era chegar aos cem, mas, na vida, tudo tem seu tempo. Num momento em que 70% dos empreendimentos morrem em seu primeiro ano e o desafio maior está em se adaptar às inovações, funcionar 97 anos com tradição é uma verdadeira proeza. Proeza que passou por três gerações da família Nascimento e agora se despede, em breve, após a última venda ser feita pelas mãos de Marlene.

A Casa Bronze nasceu em 3 de março de 1917, por iniciativa de Flórido do Nascimento, apenas nove anos após a emancipação de São Mateus do Sul. Ao estilo dos secos e molhados, que vendiam de tudo, o que prosperou em evidência foi o ramo de ferragens e ferramentas, que permanece até hoje. De Flórido para Agenor, de Agenor para Egon. A família que dividia os afazeres da loja com o comércio de erva-mate, bem ao estilo dos são-mateuenses da primeira metade do século 20, foi repassando o negócio para as seguintes gerações, que mantiveram o comércio. Sempre próxima do cruzamento das ruas João Gabriel Martins com Evaldo Gaensly, a Casa Bronze só ocupou o lugar que as mais recentes gerações estavam acostumadas a visitar na década de 1950. O sobrado com paredes de alvenaria e estrutura de imbuia, à frente de grandes pinheiros e rodeado pelo tráfego pesado da rodovia que corta a cidade, foi ocupado pelos produtos à venda e administrado por Egon e Marlene, sua devotada esposa.

A clientela fiel sempre se deparou com tradição. “Sempre mantivemos a mesma maneira de vender, de receber o cliente. Só o que mudou foi a disposição dos produtos, que antes ficavam todos pendurados. Mas muita gente batia a cabeça”, se diverte Marlene, ao recordar. “Mas o atendimento é sempre igual. Posso ter passado pelas piores coisas, mas nunca transmiti isso aos meus clientes. Pobre ou rico, trato todos com o mesmo carinho”.

Nos últimos anos, no entanto, vieram duas grandes perdas. O sobrado veio abaixo, danificado pelo trânsito pesado da rodovia que, ano a ano, foi comprometendo sua estrutura e obrigou a mudança às pressas para outra sala comercial, na mesma quadra. Depois, foi a morte de Egon, desta vez, para balançar a estrutura da família — era o pilar da atual geração dos Nascimento. A filha passou a auxiliar Marlene, que tocou a Casa Bronze por mais dois anos.

Agora, ela precisa do seu tempo. Com a mãe doente e sentindo a necessidade de dar mais atenção a si mesma, Marlene optou pelo fechamento da loja. “Estou sentindo muito por esta decisão, e muitos clientes também. Mas já são 57 anos de dedicação total à loja. Muita gente chega aqui e diz que não podemos fechar. Mas tudo tem seu tempo”, lamenta. Apesar da representação do seu comércio para a história de São Mateus do Sul, e da colaboração de seu marido, que exerceu as funções de diretor escolar, meteorologista, secretário da Câmara e muitas outras, Marlene se orgulha da dedicação, mas lamenta o esquecimento.

Para a família, no entanto, a lembrança vai ficar. Dos anos de colaboração ao comércio, e da imagem de Egon, sentado em frente à loja com a bengala na mão, olhando o movimento de sua querida São Mateus do Sul.

O estoque está sendo encerrado para que as atividades parem definitivamente até o final do ano. A esperança é que alguém queira adquirir a loja e tenha a sensibilidade de manter o nome — para que a Casa Bronze chegue aos cem anos, guerreira como Marlene.

Fotos: jornal ACONTECEU

DSC_2804

DSC_2799

Imagem das primeiras instalações da Casa Bronze

Comentários

Leia também:

Prefeito, vice e vereadores tomam posse em Antonio Olinto

Posse em Antonio Olinto

02 de janeiro de 2017

sem-titulo-1

Retrospectiva 2016

23 de dezembro de 2016