“Não sou contra, mas acho que temos que aprofundar um pouco mais a discussão técnica”, diz presidente do IAP sobre liberação do Xisto Agrícola

16 de agosto de 2016

Nova reunião entre comitiva local e representantes do governo esta semana pressionou por apoio ao projeto

 

IMG_8502Fotos: jornal ACONTECEU

 

Uma comitiva de líderes políticos, da sociedade civil organizada e representantes da Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) marcou presença mais uma vez no Palácio do Iguaçu, em Curitiba, na manhã de segunda-feira (8), para defender a realização do projeto Xisto Agrícola, proposta que renova a competitividade da unidade da Petrobras em São Mateus do Sul e pode potencializar a economia local. O resultado foi o prosseguimento da discussão voltada para a parte técnica, conforme posição cautelosa do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Entre as autoridades estaduais, estiveram presentes a vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, o chefe da Casa Civil, Valdir Rossoni, o presidente do IAP, Luiz Tarcísio Mossato Pinto, e o diretor geral da Embrapa, Clenio Nailto Pillon. Entre os representantes locais, o prefeito de São Mateus do Sul, Clovis Ledur, o vice Clóvis Distéfano, o presidente da Câmara Municipal Enéas Melnisk, o deputado estadual Hussein Bakri e o gerente geral da SIX, Emanuel Eduardo Paula de Medeiros, além de integrantes do Núcleo de Desenvolvimento e Empreendedorismo (NDE).

 

Desenvolvimento

Todos ouviram a respeito do projeto, que propõe a utilização de subprodutos do xisto na produção de fertilizantes, e sobre os desafios para colocá-lo em operação, dependendo de liberações junto ao IAP e ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A comitiva local também enfatizou seus benefícios para o desenvolvimento da região. “Temos uma expectativa muito grande em cima do que foi apresentado e acredito que não podemos perder esta oportunidade e o que ela representa para o nosso desenvolvimento”, comentou o prefeito Ledur, que lembrou que a economia do município anda em paralelo com a Petrobras. “Extrair óleo de pedra, somente, não nos torna competitivos”, declarou o gerente da SIX. Medeiros ainda reafirmou a segurança e potencial do projeto e seus resultados. “Não tenho dúvida que vai ser bom para a Petrobras, para São Mateus do Sul, para o Paraná e quiçá o país”.

 

Impasses

A apresentação destacou os diversos estudos promovidos para atestar a eficiência e a segurança alimentar e ambiental do uso dos subprodutos como fertilizantes, reiterada pelo diretor da Embrapa, que é parceira do projeto. “O projeto passou por densos e rigorosos estudos para enxergar a potencialidade e eventualmente possíveis riscos. Estamos seguros com a boa informação que geramos, e os laudos e toda a equipe estão inteiramente à disposição”, disse Pillon.

Dois dos produtos já obtiveram liberação estadual — a água de xisto e o calcário de xisto —, e busca-se a autorização para os finos de xisto e o xisto retortado, completando as matrizes fertilizantes e permitindo assim a colocação no mercado, impactando significativamente o volume de produção nacional. Apesar do porte do projeto, do seu impacto na economia e dos laudos de inocuidade, o presidente do IAP disse, na ocasião, que a equipe técnica ainda não tem a segurança ambiental para expedir uma licença e que provavelmente vai exigir algumas complementações e análises para concluir o processo. “Respeito a apresentação, você estão vendo o lado empreendedor, que é importante, e o projeto é muito interessante, mas nós estamos do lado do órgão licenciador e aí temos que ter esse cuidado”, afirmou Mossato. “Não sou contra, mas acho que temos que aprofundar um pouco mais essa discussão técnica, e para isso me coloco à disposição”.

A partir do que foi exposto, foram acordadas novas reuniões, desta vez com o foco técnico, para atender às exigências do IAP e tentar tornar o projeto realidade. A primeira delas aconteceu no mesmo dia, mas Mossato não esteve presente.

 

 

O que é o Xisto Agrícola?

Em parceria com a Embrapa e o Iapar, o projeto consiste na pesquisa e aproveitamento do potencial do xisto e de seus produtos na agricultura, com ênfase na produção agroecológica. A ideia é promover o aproveitamento integral do xisto, obtendo produtos também sob forma de insumos agrícolas. Associados a outras matérias-primas, os produtos do minério podem compor fertilizantes orgânicos e substratos para a produção de várias culturas.

A coordenação da pesquisa ocorre na SIX, mas há experiências em curso com diversas culturas em mais de 15 cidades do país.

Em termos econômicos e sociais, o aproveitamento integral do xisto e de seus insumos pode resultar expressiva geração de receitas, renda e empregos, consolidando o xisto economicamente, fomentando a agricultura familiar e criando um polo de desenvolvimento regional. Fonte: Petrobras

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