Lembrar para combater: Rede de proteção intensifica alerta à pedofilia em Dia Nacional de Combate

22 de maio de 2015

Em São Mateus Conselho Tutelar registra até 5 violações aos direitos da criança por semana

 DSC_0111Passeatas mobilizaram pela conscientização e incentivo à denúncia (fotos: jornal ACONTECEU)

 

A cor amarela predominou no centro de São Mateus do Sul na última segunda-feira (18), presente nas vitrines dos comércios, nas flores dos canteiros e na massa de pessoas que percorreu as principais ruas em passeata alertando para o combate à pedofilia. Justamente cor de alerta, para mostrar que lembrar é combater, e que esquecer é permitir. Assim foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A campanha foi instituída com a aprovação da Lei Federal nº 9.970/2000, determinando esta data em alusão a um crime bárbaro que aconteceu em 18 de maio de 1973 e vitimou uma menina de apenas oito anos em Vitória (ES). A data então se tornou um dia de luta e conscientização da sociedade para o combate a essa prática. Em São Mateus do Sul, a passeata é realizada desde 2011, reunindo as entidades que formam a chamada rede de proteção, alunos das escolas e comunidade em geral. “A intenção é manter as pessoas alertas de que todos têm a obrigação de agir diante de qualquer ato de violência contra crianças e adolescentes. Assim, divulgamos os números de denúncia e também os profissionais que trabalham com as crianças”, explica a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Roseli Ferreira Oleinik.

Segundo ela, a cada ano a adesão torna-se maior, colaborando pelo caráter preventivo da mobilização e ampliando a perspectiva de combate a esses crimes. “Esse vínculo é fundamental para que as crianças se abram. E, de fato, percebemos que elas estão se sentindo mais seguras”, revela.

A caminhada ocorreu às 9h, saindo do Terminal Rodoviário Guilherme Kantor. Os participantes percorreram trechos das ruas Ulisses Faria, Barão do Rio Branco e Avenida Ozy Mendonça de Lima, entoando o lema “Lembrar é combater, esquecer é permitir”, e tendo apoio dos comerciantes instalados no trajeto. Na Vila Bom Jesus também houve uma passeata no período da tarde, promovida pelo projeto Portal do Saber.

Casos quase diários

Atualmente, São Mateus do Sul ainda não tem um banco de dados sobre os casos de violência contra crianças e adolescentes que integre informações de todos os órgãos ligados à rede de proteção e informação. Contudo, o Conselho Tutelar revela uma rotina agitada. “São Mateus tem uma realidade distinta das grandes capitais, mas os problemas existem em sua proporção. Atendemos cerca de cinco casos por semana”, afirma o conselheiro tutelar Alexandre Muller.

A entidade é a base no atendimento às vítimas desse tipo de violência, e também a ponte que vai direcionar a situação para a ação dos demais órgãos apropriados, como o Centro de Referência em Assistência Social (Cras), Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), Polícia Civil, Ministério Público e Judiciário, este último, responsável por tomar as decisões. Hoje, o Conselho Tutelar conta com cinco conselheiros e dois veículos próprios, funcionando em um espaço alugado na rua João Gabriel Martins, centro da cidade. Recebe a maior parte dos casos a partir de denúncias, muitas das instituições de ensino que essas crianças frequentam. Segundo Alexandre, apesar das dificuldades ainda enfrentadas, a realidade nos atendimentos está mudando. “Antigamente existia o estereótipo de repressão em relação ao Conselho Tutelar que felizmente foi combatido, e hoje essas crianças e adolescentes entendem que podem contar conosco”, ressalta o conselheiro. “Hoje também há diversos projetos sociais que trabalham com jovens e ajudam a melhorar o ambiente em eles se desenvolvem, e outros que trabalham a estrutura familiar, afinal, o ambiente em que eles vivem é um fator crucial para determinar seu comportamento e sua identidade. Toda a rede é formada por pessoas bastante comprometidas que trabalham juntas, tentando dar segurança e acolhimento”.

 Dados

O Disque Direitos Humanos (Disque 100) recebeu 21.021 denúncias de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes no primeiro trimestre deste ano. As principais denúncias são negligência e violência física, psicológica e sexual. Em relação ao perfil, 45% das vítimas eram meninas e 20% tinham entre 4 e 7 anos. Entre os agressores, vale lembrar, não existe perfil.

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Para denunciar:

3532 2081 / 8806 3824

Disque 100

A denúncia pode ser anônima

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