Indústrias na região: Quando será a vez de São Mateus?

03 de julho de 2014

Enquanto cidades ao redor têm sido beneficiadas com altos investimentos do setor industrial, São Mateus do Sul segue oculta por desvantagens logísticas e estruturais, entre outras

   f_60945

Maio: Assinado protocolo de intenções entre Sepac e governo do Estado para ampliação da indústria de celulose em Mallet, com investimento de R$ 180 milhões e geração de 250 empregos diretos. Junho: Electrolux oficializa investimento de R$ 250 milhões para a construção de uma nova fábrica de refrigeradores no município da Lapa — 800 empregos diretos, mais expectativa de 2 mil indiretos. Início de julho: confirmada transferência da matriz da madeireira Guadalupe Industrial do Brasil para a cidade de Irati, investindo R$ 8,5 milhões na ampliação da atual planta industrial e gerando 200 novos empregos diretos. E São Mateus?

A capital do xisto parece seguir estagnada há anos no setor industrial, longe dos olhos das grandes empresas, que, coincidentemente, tem tido interesse crescente na região, porém, em outras cidades. No curto espaço de tempo citado no parágrafo anterior, três cidades próximas foram incluídas em projetos de grandes indústrias, e São Mateus do Sul parece invisível, oculta por desvantagens estruturais, logísticas e, mesmo relativamente próxima da capital e do porto de Paranaguá, até em questão de localização.

O cenário industrial no Paraná tem se deparado ultimamente com uma crescente migração das empresas de Curitiba para o interior, indo além da região metropolitana. A região dos Campos Gerais, principalmente Ponta Grossa, tem sido foco de interesse de muitas empresas, e cidades ao entorno, que apresentam boa infraestrutura, malha viária compatível para escoamento da produção e, para o mesmo fim, ramal ferroviário, também têm sido privilegiadas. Pontos que São Mateus do Sul revela carência, sem uma área industrial adequada e rodovias saturadas. “É difícil encontrar uma indústria que se adeque ao que podemos oferecer”, admite o secretário municipal de Indústria e Comércio, Renato Possebon. “É uma situação angustiante”.

Segundo ele, o município não tem capacidade de investimento para criar uma área industrial adequada no momento, e o que se projeta é a longo prazo. Ele se refere às possibilidades de duplicação da BR 476 entre São Mateus e Lapa e a possível inclusão do município no novo ramal ferroviário a ser implantado no Estado. “Estamos discutindo com o governo federal esta questão da ferrovia, tentando buscar atenção para a cidade e seu potencial, que vai permitir estimular outras atividades, além do xisto”, diz.

Pequenas empresas e termelétrica

O precário Distrito Industrial exigiu da gestão atual a legalização das áreas que ainda comportavam pendências e, de acordo com a Secretaria de Indústria e Comércio, os documentos devem ser liberados em aproximadamente 30 dias, autorizando a instalação das pequenas empresas que solicitaram área e que se adequam nos modestos espaços disponíveis. Uma área industrial de porte para a cidade, a exemplo da que possui Palmeira, cidade de tamanho e localização semelhante, exigiria, de acordo com a Secretaria, aquisições de áreas aos poucos, como fez a cidade vizinha ao longo de diversas gestões, ou remanejar as verbas municipais, que seria um caminho mais delicado.

O potencial mais palpável no momento para o município seria, de fato, a termelétrica, que, com o ramal ferroviário passando por São Mateus, se mostraria uma alavancagem na área industrial do município, além do xisto, possibilitando a vinda de outras indústrias que fizessem uso dos subprodutos gerados pela usina. Segundo Renato, o projeto configura uma situação que seria favorecida com maior sintonia entre os governos. “Queremos propor aos candidatos ao governo do Estado que incluam a ideia da termelétrica dentro dos projetos de governo, fazendo o Estado se ver como também beneficiário deste projeto e se tornar parceiro e facilitador”, revela.

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul (ACIASMS), Edson Dacorégio, o setor reconhece a falta de um atrativo para que a cidade entre na rota de novos investimentos. “Estamos em um importante entroncamento rodoviário, temos um povo ordeiro, comprometido e trabalhador, mas realmente nos falta algo, que há tempos, com nossos associados, estamos chamando a atenção. Temos que realmente ter algo para oferecer além de nossos atributos já mencionados. Estamos trabalhando em várias frentes para isso, para ter algo palpável a oferecer”, diz. Segundo ele, a Associação vem trabalhando há anos na criação e estruturação da Secretaria Municipal de Indústria e Comércio, oferecendo treinamentos por meio do programa Bom Negócio Paraná, serviços como a Junta Comercial, e mostrando o que São Mateus tem para as quase 300 associações do Paraná, e enfatiza a importância de estimular esse interesse nos cidadãos. “Acreditamos que isso não depende somente da Associação ou do poder público, mas sim do interesse de cada um de nós, em termos uma cidade preparada para receber bem qualquer proposta de geração de emprego e renda, não somente de grandes empresas, que aqui venham oferecer suas centenas de postos de trabalhos, mas também as pequenas, que hoje são o grande gerador de empregos em nossa cidade”.

Paraná Competitivo

O programa Paraná Competitivo foi criado no início de 2011 para reinserir o Paraná na agenda dos investidores nacionais e internacionais, contemplando uma série de medidas necessárias para tornar o Estado mais atrativo para novos empreendimentos produtivos que gerem emprego, renda, riqueza e desenvolvimento sustentável. Entre as linhas de atuação estão a dilação de prazos para recolhimento do ICMS, investimentos para melhoria da infraestrutura, internacionalização do Estado, desburocratização e capacitação profissional. Os três grandes investimentos citados no início desta reportagem, em Mallet, Lapa e Irati, são contemplados pelo Paraná Competitivo. As cidades que mais possuem investimentos enquadrados no programa são Ortigueira, São José dos Pinhais, Ponta Grossa, Fazenda Rio Grande, Curitiba, Adrianópolis, Campo Largo, Rio Branco do Sul, Castro e Piraí do Sul. Com o incentivo do programa, além da logística das potenciais cidades para definir o destino de novas indústrias no Estado, o dedo do próprio governo estadual, vale citar, também pode influenciar na indicação e direcionamento desses investimentos.

Questionada sobre o assunto, a Secretaria Estadual de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que a definição do destino da empresa considera fatores, mas depende em geral da decisão da própria empresa. “Todos os municípios estão incluídos no Paraná Competitivo, sem distinção. Mas a escolha da localidade em geral fica por conta do empresário. Na maior parte das vezes, a iniciativa privada negocia com a cidade e/ou região definida. Levam em conta, principalmente, a localização (proximidade de mercados consumidores), infraestrutura (rodovias, ferrovias e portos), matéria-prima e mão de obra”, diz. “O Estado busca estimular a interiorização dos investimentos, tanto é que quanto mais ao interior são os investimentos, maiores são os benefícios, sobretudo os fiscais”, explica. Além de citar esses fatores, a Secretaria ainda enfatiza que a existência de distritos industriais também é fundamental para tornar a cidade mais atraente. “Essas áreas específicas e estruturadas, com infraestrutura adequada, aumentam a competitividade dos municípios”, afirma. A Secretaria não informou a existência de projetos relacionados a São Mateus do Sul no Paraná Competitivo.

Comentários

Leia também:

Prefeito, vice e vereadores tomam posse em Antonio Olinto

Posse em Antonio Olinto

02 de janeiro de 2017

sem-titulo-1

Retrospectiva 2016

23 de dezembro de 2016