Imprensa são-mateuense vive 110 anos de história

03 de julho de 2014

Encontrado registro do que deve ser o primeiro jornal de São Mateus do Sul, datando de 1904, época em que a cidade ainda era uma colônia

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Os veículos de comunicação ativos ou que em algum momento se fizeram presentes em São Mateus do Sul carregam a responsabilidade pelos registros da história do município, mantendo vivos fatos que muitas vezes acabam passando despercebidos por gerações ou abafados por novos acontecimentos. E apesar de modesta, a mídia local é consideravelmente experiente: ao que se indica, tem 110 anos de história, completados em maio.

A constatação gira em torno de uma recente e feliz descoberta feita pelo escritor Gerson Cesar Souza. Entre os materiais coletados em suas pesquisas históricas, Gerson encontrou por acaso uma nota que noticia a inauguração do que deve ser o primeiro jornal de São Mateus do Sul. Na página 2 da edição de 9 de maio de 1904 do extinto A República, de Curitiba, a curiosa ortografia do início do século passado compõe felicitações aos fundadores do jornal O Indígena.

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De acordo com a nota, o jornal era “o primeiro arauto das idéas surgido na villa de São Matheus”, seguindo a grafia original, e se propunha à defesa dos interesse locais. “Se esta informação for correta, completamos semanas atrás 110 anos da imprensa são-mateuense, com o primeiro jornal tendo sido criado quatro anos antes da instituição do município”, comenta Gerson, surpreso. A nota ainda informa os diretores da publicação, identificados como Belmiro Cunha e Manoel Francisco.

Em pesquisa sobre o assunto, a reportagem confirmou na Casa da Memória a existência do jornal — embora não exista nenhum exemplar arquivado, o espaço possui em antigos hefemérides (registros de fatos por data) um registro deste jornal que bate com a data descrita pelo A República.

Sobre os proprietários, o nome de Belmiro Ferreira da Cunha consta nos registros do Museu Maçônico Paranaense, como participante da Loja Maçônica Luz e Caridade, fundada em 1898, e membro fundador da Loja Renascença, em 1902. Conforme apurado também por Gerson, Cunha — sobrenome de uma família bastante tradicional do município — era advogado, e se mudou para União da Vitória em 1905, onde fez carreira no serviço público. Quanto a Manoel Francisco, no entanto, nenhum registro foi encontrado, em breve pesquisa feita no acervo municipal, em livros históricos e internet.

Nesse período, existem somente registros de publicações que vinham da Polônia para informar os colonizadores sobre os acontecimentos da terra natal. Já a primeira tipografia do município data de 1909, originalmente conduzida por Luiz Giublin e repassada a Francisco de Abreu Santos, que na década de 1930 imprimia jornais estudantis. Com a constituição de São Mateus do Sul como município e o crescimento da cidade, novas publicações noticiosas foram surgindo e registrando nossa história, como os extintos jornais O Iguaçu, União, Nova Notícia, Correio do Sul e Folha de São Mateus.

Se você tem alguma nova informação sobre o jornal O Indígena, seus proprietários ou outros fatos curiosos relacionados à imprensa são-mateuense, entre em contato com o ACONTECEU e compartilhe com São Mateus do Sul.

Imagens: Arquivo/Gerson Souza

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