Greve na SIX completa um mês em meio a incertezas

05 de outubro de 2016

Paralisação da unidade chegou a ser anunciada nos últimos dias, gerando insegurança

 

dsc_0282Foto: jornal ACONTECEU

 

No dia 1º de outubro, a greve na Unidade de Industrialização do Xisto (SIX) da Petrobras em São Mateus do Sul completou um mês sem um consenso entre as partes. De um lado, a empresa alega estar cumprindo decisão judicial que inviabiliza manter a tabela de turnos atual, de oito horas; do outro, os grevistas alegam prejuízos à categoria com a redução e alegam retaliação; e no centro, a cidade exprime insegurança em relação à instabilidade da usina.

Conforme o Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina (Sindipetro PR/SC), os trabalhadores da usina do xisto permanecem em greve por tempo indeterminado em função da imposição por parte da empresa de uma nova tabela de turno que reduz a jornada de trabalho de oito para seis horas. Para os grevistas, tal medida descumpre o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), diminui o número de folgas dos empregados e provoca prejuízos monetários.

A Petrobras, por sua vez, declarou no início da greve que a necessidade de alteração da tabela de turnos decorre de decisão proferida em processo judicial movido pelo Sindipetro PR/SC perante a Vara do Trabalho de União da Vitória (PR), quando a entidade sindical questionou a tabela de turno vigente na SIX. A decisão judicial, para a Petrobras, inviabiliza tecnicamente a aplicação de uma tabela de oito horas, gerando, por consequência, a necessidade de implantação de regime de turnos ininterruptos de revezamento de seis horas.

Nos últimos dias, a SIX estava em condicionamento de paralisação da produção, até que um acordo formalizado sob mediação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) assegurou a manutenção da produção com a retomada da jornada de oito horas aos trabalhadores que compõem as equipes de contingência, até a realização da audiência de conciliação marcada para a tarde desta quarta-feira (5), na sede do TRT da 9ª Região, em Curitiba.

O presidente do Sindipetro PR/SC, Mário Dal Zot, não deu detalhes das últimas decisões tomadas em assembleia da categoria, devendo se manifestar após a assembleia desta quarta-feira, tida como o “Dia D” para os grevistas. A Petrobras não respondeu às questões solicitadas pela reportagem via assessoria de imprensa, em relação ao movimento grevista, em como a empresa está agindo para superar esta questão e em relação aos impactos para a unidade. Apenas reiterou a declaração anterior, sobre a necessidade de alteração da tabela de turnos, e disse que “a decisão final da justiça deverá ser proferida ao término do processo de Dissídio Coletivo de Greve, requerido pela empresa após contínuas tentativas de negociação com o Sindipetro PR/SC”, e que “reitera seu compromisso com a segurança dos empregados e das operações”.

 

Insegurança

Esta nova instabilidade na SIX acontece meses após a intenção de desativação da unidade ser considerada pela Petrobras e revertida com grande pressão social e política. A forte relevância da usina para o município revela uma cidade apreensiva. Procurada pelo ACONTECEU, representantes da sociedade civil organizada opinaram. “Todos sabemos que o dinamismo de uma economia depende da confiança de investidores, de seus empresários e também dos consumidores. A atual greve dos operadores do turno da SIX está criando muitas incertezas quanto ao futuro da nossa cidade, visto que a unidade recebeu ordem para iniciar a paralisação da sua planta produtiva”, comenta a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Ingrid Eliane Hoch Ulbrich, que lembra também da greve dos bancários, prestes a também completar um mês. “O ambiente de negócios local está sendo muito prejudicado, com fortes prejuízos diários, onde são as pessoas menos favorecidas aquelas que mais sofrem pelo desemprego e dificuldade de encontrar um novo trabalho, necessitando se dirigir a outros municípios”.

Para o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de São Mateus do Sul (ACIASMS), Edson Dacoregio, a situação prejudica no sentido de mostrar fraquezas da cidade e causar instabilidade também a toda uma cadeia de negócios ligada à unidade. “São questões que desaceleram a economia, geram o medo de investir e a estagnação de novos negócios”, comenta. “Não cabe dizer quem tem razão quanto à greve, mas tudo precede de diálogo”.

 

ATUALIZADO ÀS 16h30 DE QUARTA-FEIRA (5)

A audiência da tarde desta quarta-feira (5) resultou em uma proposição com sugestões do Sindicato, que será apreciada pela diretoria executiva da Petrobras. Uma nova audiência foi marcada para o dia 11 de outubro, às 9h, a fim de apresentar o posicionamento e tentar chegar a uma conciliação que coloque fim à greve.

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