Doando uma nova chance de viver

24 de julho de 2015

Doação de medula entre irmãos salva a vida de jovem são-mateuense com leucemia e acende holofotes para a importância de ser um doador

 

DSC02692Eraldo encontrou compatibilidade na irmã, Joseane, que fez a doação que vai permitir sua recuperação – Fotos: Arquivo pessoal/Joseane Muchinski

 

“Para mim foi uma coisa tão simples, mas para ele foi um passaporte para a vida”, expressa a estagiária Joseane Muchinski, de 19 anos, dias após realizar o procedimento de doação de medula óssea que salvou a vida de seu irmão, Eraldo Muchinski, de 27 anos. Lutando contra a leucemia, o gerente comercial se viu tendo que recorrer à última possibilidade de vencer a doença — o transplante de medula — encarando a pouco animadora estatística de compatibilidade de uma entre 100 mil pessoas. Mas acabou encontrando sua nova chance de viver no acalento da família.

O diagnóstico do câncer veio em 2010 e um tratamento de dois anos eliminou a leucemia da vida de Eraldo — por algum tempo. Em novembro de 2014, o rapaz descobriu que a doença tinha voltado, desta vez de forma mais agressiva, e só o transplante poderia acabar com esse pesadelo. “Ficamos desesperados”, conta Joseane, que, com os pais e mais duas irmãs, fez o teste de compatibilidade na esperança de poder salvar a vida do irmão. Para conforto de todos, os resultados foram positivos. “Tive 100% de compatibilidade. Era como se fôssemos gêmeos, mesmo com oito anos de diferença”, revela.

Após todos os exames necessários, Joseane recebeu uma medicação para estimular a produção das células necessárias e fazer com que elas sejam levadas para a corrente sanguínea. Na sequência, ocupou um leito do Hospital do Câncer de Barretos (SP), referência no tratamento de cânceres no Brasil, e iniciou o procedimento chamado de aférese, no qual o sangue é retirado por punção venosa e passa por uma máquina, que separa as células necessárias para o transplante, e depois retorna para o doador. No dia seguinte — a última sexta-feira, 17 de julho — Eraldo recebeu a doação, com sucesso.

Enquanto ele permanece no hospital, permitindo que seu corpo reconstitua uma nova medula saudável com as células recebidas, Joseane voltou para São Mateus do Sul e foi acolhida com festa pelos amigos e familiares, ainda inebriada pela sensação ímpar de salvar uma vida. A compatibilidade de medula dentro da família é maior, porém, nem sempre é o que ocorre, por isso, o episódio com a família Muchinski acendeu os holofotes para a importância de ser um doador.

Quebrando estigmas

Na região, é o Banco de Sangue de União da Vitória que colhe a amostra de sangue e providencia o cadastro do voluntário no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), o terceiro maior banco de dados do mundo do gênero. As informações e características genéticas do doador ficam disponíveis para uma rede de 140 países, na qual pode haver um doente compatível. Segundo o auxiliar administrativo do banco de sangue regional, Sidnei Muran, a região de abrangência da entidade, que atua por meio do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Vale do Iguaçu (Cisvali), gera uma média de 300 cadastros por mês. “Esse número varia, principalmente quando ocorrem campanhas de conscientização ou em prol de alguma pessoa doente”, explica.

Nos últimos meses, quatro pessoas cadastradas pelo banco de sangue da região tiveram compatibilidade, e duas que procuraram a equipe na sequência revelaram que fizeram a doação. “Um período atrás, uma doadora de União da Vitória salvou a vida de um paciente na Suécia”, revela a enfermeira Daiane Rodrigues. “Hoje temos uma paciente de União da Vitória com linfoma e também uma menina de dois anos de Irineópolis (SC) com leucemia que esperam por um doador. Nem sempre ocorre compatibilidade na família, por isso é importante que as pessoas se conscientizem da importância de doar, e de que há gente morrendo por falta de doadores”, explana.

Segundo Daiane, apesar de campanhas frequentemente levarem as informações ao público, ainda há muito estigma em torno da doação. “Muitos ficam com medo por achar que as células são retiradas diretamente da coluna, em uma experiência dolorosa. Mas o procedimento feito é pela máquina de aférese, muito tranquilo. Além disso, há o cuidado de verificar as condições de saúde do doador, pois não podemos colocá-lo em risco”, explica.

O Banco de Sangue de União da Vitória está localizado na rua Castro Alves nº 26, ao lado do Pronto Atendimento da cidade. Interessados em fazer o cadastro, que precisam ter entre 18 e 54 anos, podem procurar diretamente a entidade sem necessidade de agendamento prévio, ou procurar a Secretaria de Saúde de São Mateus do Sul, que agenda grupos e providencia o transporte até o município vizinho. Para doação de sangue, o procedimento ocorre de segunda a quinta-feira, no período da tarde.

 

Untitled-2Procedimento ocorreu na semana passada. Joseane já retornou a São Mateus do Sul, enquanto Eraldo segue se recuperando no Hospital do Câncer de Barretos

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