Crise nacional se reflete no mercado de trabalho de São Mateus do Sul

07 de agosto de 2015

Primeiro semestre do ano fechou com mais de 1,8 mil desligamentos de empregos formais na cidade

 

843desempregoFotos: jornal ACONTECEU

 

Os altos juros, reajustes seguidos nas contas de energia e água, aumento no preço de produtos essenciais e consequente diminuição do poder aquisitivo dos consumidores mostram que a crise econômica enfrentada pelo país não fica restrita aos grandes centros e aos gráficos mensais dos noticiários da TV, mas compromete diretamente o bolso dos brasileiros em todos os cantos do país. Com os consumidores contendo os gastos ao máximo e as empresas reduzindo os custos para se manter, os reflexos no mercado de trabalho são inevitáveis, inclusive em São Mateus do Sul. A capital do xisto sofreu 1804 desligamentos de empregos formais no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego.

Entre os ramos de atividade, o comércio foi o mais impactado no período, com 725 desligamentos, seguido pela área de serviços, com 476 desligados. São esses os setores que ficaram com saldo negativo no balanço do Caged em relação ao total de admissões. A agropecuária, bastante forte na economia local, foi o que ajudou a manter o saldo total — entre admissões e desligamentos — positivo, com 120 desligamentos, mas 218 admissões.

O impacto é mais visível observando os resultados do semestre em relação à mão-de-obra intermediada pela Agência do Trabalhador de São Mateus do Sul. O número de vagas abertas no Sistema Nacional de Emprego (Sine) da cidade foi 72% menor no primeiro semestre deste ano, em relação aos seis primeiros meses de 2014 (770 de janeiro a junho de 2014 para 213 entre janeiro e junho de 2015). Apesar de encaminhar muita gente para as vagas, houve apenas 202 colocados no período, contra 357 colocados no mesmo período do ano passado, uma variação de 43%.

Apesar da queda, a agência local mantém os melhores resultados da regional, composta também pelos municípios de União da Vitória, Bituruna e General Carneiro, evidenciando que as dificuldades são de nível nacional. “Alguns ramos realmente diminuíram a oferta de empregos, até mesmo o ramo alimentício, onde havia mais ofertas dos frigoríficos e também percebemos redução”, relata o responsável pela intermediação de mão-de-obra do Sine, Leandro Ulbrich Bueno. “Como a situação não está fácil, as pessoas deixam de comprar e há uma hora em que as empresas acabam  tendo que cortar funcionários”.

O Paraná ainda está entre os estados com melhores resultados no ranking da geração de empregos formais, abrindo 13.998 vagas de trabalho com carteira assinada no semestre, atrás apenas de Goiás, mantendo o saldo sutilmente positivo — 0,5%. Em todo o país, segundo o Caged, houve perda de mais de 345 mil postos de trabalho no primeiro semestre de 2015.

 

Dificuldade em todos os setores

No último mês, dois estabelecimentos comerciais de São Mateus do Sul fecharam as portas. A filial das Lojas Liberatti, de móveis e eletrodomésticos, e a Pizzaria Mama Mia. Os negócios estão mais difíceis, afirma o empresário Igor Luiz Kuczera, da HR Pneus. “As vendas até continuam boas, mas a inadimplência aumentou muito”, conta, revelando ter tido que reduzir o quadro de funcionários. “Apesar da crise, nós empresários não podemos nos abalar. Precisamos ser realistas, mas temos que manter o otimismo”.

Outra área bastante afetada pelos cortes é a indústria, em São Mateus do Sul representada principalmente pela unidade de processamento de xisto da Petrobras, a SIX. A empresa vem constantemente reduzindo investimentos, com impacto até na elogiada área de pesquisa. O engenheiro Celso Murilo dos Santos está se despedindo de São Mateus do Sul após quase nove anos de capital do xisto. “O contrato acabou e desta vez não houve renovação”, conta. Ambos formados com mestrado, ele e sua esposa, já desempregada há um ano, decidiram se mudar para Blumenau (SC). “Estávamos bem adaptados, vivíamos bem e a cidade era ótima para as crianças”, lamenta Celso.

 

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