Crise na Petrobras chega a São Mateus do Sul

17 de abril de 2015

Atual situação financeira da companhia e perdas relacionadas ao esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato já se refletem na unidade SIX, que sofre drástica redução dos investimentos

827petrobrasHoje reduzido, investimento no Centro de Pesquisas da SIX já teve orçamento de R$ 100 milhões/ano

 

A gigante Petrobras vive o pior momento de sua história, com a Operação Lava Jato trazendo à tona escândalos de corrupção nos mais altos escalões da companhia e, consequentemente, a desvalorização de suas ações no mercado. Como reflexo da crise, a estatal começou a reduzir investimentos e desacelerar o ritmo de alguns projetos, focando na produção e aumentando a venda de ativos para conseguir reforçar o caixa. Como era de se esperar, as medidas de contenção estão se refletindo em todas as unidades, alcançando a Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), que se prepara para viver com uma drástica redução dos investimentos.

A SIX opera sobre uma das maiores reservas de xisto do mundo, atuando nas áreas de pesquisa, exploração e processamento de xisto, e ultimamente seu avançado centro de pesquisas é o que mais tem sido visto com bons olhos. Com o considerado maior parque tecnológico da América Latina em plantas-piloto, desenvolve projetos em conjunto com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e universidades. Mas nem mesmo sua relevância o permitiu escapar. O jornal ACONTECEU obteve informações de que o investimento previsto para o ano de 2015 na área gira entre R$ 13 e R$ 16 milhões. Até pouco tempo, o montante dedicado ao centro de pesquisas da unidade alcançava R$ 100 milhões/ano.

É de dentro da SIX que surgiram testes de queimadores e combustíveis, controle de emissões, resistência de materiais. É por meio da SIX que a Petrobras mantém programas de reabilitação de áreas mineradas. E apesar de essas atividades jamais poderem ser consideradas supérfluas, a essência do atual plano de negócios da estatal consiste em produzir, exigindo mais do que nunca pisar no freio no que não representar lucro.

Redução do ritmo

Outras unidades também vêm sofrendo redução no trabalho, a fim de conter os investimentos. Nas unidades em construção, por exemplo, o ritmo de obras desacelerou no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e também na Refinaria Abreu e Lima (Rnest). A unidade de fertilizantes do Mato Grosso do Sul, que atraiu muitos trabalhadores, também parou.

A SIX já vinha há algum tempo gerando apreensão para a população local, com a não renovação de muitos contratos que encolheram o número de pessoas prestando serviços à unidade. Em 2013, algumas empreiteiras terceirizadas abandonaram a cidade, após o fim de contratos, deixando para trás dívidas com empregados e com empresas da região. No último ano, ainda se intensificou a luta entre Estado e Petrobras pelo pagamento de royalties retroativos referentes à exploração de xisto na cidade, o que poderia representar um caixa expressivo, porém momentâneo para a cidade, e um golpe pesado para colocar em xeque a unidade que, apesar de ajudar boa parte da economia local, não representa necessariamente uma grande fonte de lucro para a companhia.

Por meio de nota, a Petrobras informou à reportagem que o novo Plano de Negócios e Gestão para o período que inclui 2015 está em fase de aprovação, e que mantém o entendimento quanto à relevância da unidade. “Independentemente do orçamento ainda a ser definido para este ano para as atividades de pesquisa da unidade em São Mateus do Sul, a Petrobras ressalta que se mantém inalterada e igualmente significativa a contribuição da SIX para a companhia, seja na produção de derivados de xisto ou na geração de conhecimento”, informa a nota.

Decisões

Nos próximos dias, uma reunião importante da diretoria deve definir os investimentos da SIX e, consequentemente, seu futuro no período de recessão.

Procurado pelo jornal ACONTECEU, o prefeito de São Mateus do Sul, Clóvis Ledur, disse, nesta quarta-feira (15), que ainda não tinha notícia de que haveria, de fato, essa desaceleração. “Desde o anúncio desse possível desinvestimento na área de pesquisa, a Prefeitura atuou por um caminho, e a unidade por outro, para que isso fosse reconsiderado, e ajudamos a prorrogar essa decisão. Até esse momento, não tenho nenhuma notícia sobre se vai ocorrer e qual o valor do orçamento”, conta. Ainda segundo ele, mediante a possibilidade do desinvestimento, isso ocorreria somente pelo período de um ano, com expectativa de retomada já em 2016. “A diretoria garantiu que a SIX segue dentro dos planos de negócios dos próximos cinco anos, período no qual não há risco”, conclui.

Notícia boa

Felizmente, a Petrobras manteve a seleção pública Comunidades, do Programa Petrobras Socioambiental, que patrocina ações desenvolvidas em municípios do entorno de unidades da companhia. Na última terça-feira (14), o contrato com 11 projetos sociais foi assinado em Araucária, incluindo iniciativas de São Mateus do Sul, Antonio Olinto e São João do Triunfo. Cada instituição beneficiada receberá até R$ 300 mil para atuar com foco nas áreas de produção inclusiva e sustentável, biodiversidade e sociodiversidade, direitos da criança e do adolescente, florestas e clima, educação, água e esporte.

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