Criação de Núcleo de Prevenção busca melhorar atendimento a vítimas de violência doméstica e sexual

17 de abril de 2015

Dados do município dão conta de que há necessidade de trabalho integrado entre setores e medidas efetivas para romper ciclos de violência

DSC_0160Tema foi discutido com diversos segmentos da sociedade, que, a partir de integrados, têm condições de agir da melhor forma diante de casos de violência (foto: jornal ACONTECEU)

 

Agentes da saúde, assistência social, educação, segurança e outros segmentos da sociedade se reuniram na quinta-feira, 9 de abril, para implementar em São Mateus do Sul o Núcleo de Prevenção de Violência e Promoção de Saúde. A iniciativa busca ampliar a atenção à saúde da família, acalentando casos de violência doméstica e sexual e integrando os setores para maior eficiência nas notificações, no apoio às vítimas e no rompimento dos ciclos de violência.

Dados da 6ª Regional de Saúde mostram que, de 2009 aos primeiros meses de 2015, foram registradas 57 situações de violência doméstica ou sexual em São Mateus do Sul, série histórica muito inferior a cidades menores da região, como Bituruna e Paula Freitas. A comparação não significa que haja menos casos em São Mateus, mas o oposto: há muito mais situações que não são registradas. Das vítimas, a maioria são mulheres com mais de 30 anos, e quase metade afirma que já sofreu algum tipo de violência outras vezes.

Segundo a secretária de Saúde, Fernanda Sardanha, o início do planejamento se deve a partir de entender qual papel de cada autor, definir o fluxo de encaminhamento dos casos e permitir que as vítimas recebam atendimento diferenciado. “A intenção é que a vítima se considere, de fato, atendida, e que esse novo olhar ajude a romper o processo de violência em qualquer âmbito”.

Na ocasião, a enfermeira e chefe de Epidemiologia da 6ª Regional de Saúde, Ângela Brezezinski, apresentou a ficha de notificação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), instrumento intersetorial para registro, e que ajuda no conhecimento das situações da violência captando dados relativos a frequência, gravidade e relevância social, por exemplo. A enfermeira chamou atenção para o papel de cada setor da sociedade ser efetivo. “A notificação da violência doméstica e sexual é universalizada. Qualquer setor pode notificar. Não temos a magnitude de todos os casos, mas temos que trabalhar para atender ao máximo”, enfatizou.

Os presentes ainda acompanharam o relato da assistente social Fabiani Bach e do enfermeiro Jean Carlo das Almas, sobre a experiência de implantação do Serviço de Atendimento à Vítima de Violência (SAVV) na cidade de Palmeira. Apesar de bastante recente, o serviço conseguiu melhorar o atendimento às vítimas e a penalização dos agressores, a partir de acolhimento diferenciado, mudando a forma como as vítimas são atendidas, ouvidas e tratadas.

Segundo a Secretaria de Saúde local, o município já presta importante serviço no atendimento das vítimas a partir do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), no entanto, precisa de maior atenção na área da saúde, com os atendimentos médicos adequados e imediatos para as vítimas, que é o foco do Núcleo.

As próximas providências do setor incluem a elaboração de um fluxograma das atividades que serão realizadas pelo Núcleo, com posterior apresentação à população.

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