Cidade sofre mais demissões do que admissões em 2015

19 de fevereiro de 2016

Cenário mudou em 2015 em relação aos anos anteriores; construção civil foi o setor mais impactado

 

DSC_0133Fotos: jornal ACONTECEU

 

A intensidade da crise econômica em 2015 afetou consideravelmente o desempenho do mercado de trabalho local. Ao contrário do que era observado nos anos anteriores, o ano de 2015 fechou no negativo nesse quesito — conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), houve mais desligamentos do que admissões no emprego formal em São Mateus do Sul.

Apesar de a variação ser sutil, a relação entre admissões e desligamentos vinha sendo sempre positiva às contratações no município. Mas em 2015, o cenário mudou. O ano terminou com o total de 3.425 admissões e 3.507 desligamentos. O maior impacto foi na área da construção civil, que contratou 498 pessoas, mas perdeu 610 trabalhadores, uma variação de -17,2%. Depois vem a área do comércio (-2,1) e da indústria (-1,9). Os setores agropecuário, serviços e extrativa mineral foram os que conseguiram manter resultado positivo.

 

Layoff evita mais demissões

O Caged ainda não divulgou dados referentes a este início de 2016, mas certamente o cenário já começaria ruim, não fosse uma alterativa adotada por uma das maiores indústrias locais. Para não demitir, a Incepa, indústria de revestimentos cerâmicos, colocou empregados no sistema layoff.

A medida consiste na suspensão temporária dos contratos de trabalho, para que a empresa se recupere de uma eventual redução de demanda, assegurando a manutenção dos postos de trabalho. Pelo período de até cinco meses, os trabalhadores ficam em casa, mas têm o direito de receber parte dos salários pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), precisando, nesse período, frequentar cursos de requalificação profissional indicados pela empresa.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Pisos e Azulejos (Sindipiso), a medida começou a valer no dia 11 de janeiro, após acordo com a empresa e assembleia entre os trabalhadores. O Sindicato ainda negociou para que a empresa arque com a diferença do salário e mantenha os benefícios. “A Incepa depende da construção civil, e com a queda acentuada nas vendas do setor, essa foi uma maneira de preservar os empregos, uma vez que a empresa já vinha dando férias coletivas e não tinha mais alternativas”, explica o presidente do Sindipiso, Paulo dos Santos Ferreira. “A expectativa é que, nesse meio tempo, o setor se recupere”.

O Sindicato falou em cerca de 60 trabalhadores inseridos no regime layoff, e a Incepa diz que são 44, e que não houve demissões. “A Incepa tem como seu valor maior o quadro de funcionários, desta forma, toda e qualquer medida para preservá-lo será utilizada. Assim, na área industrial não houve demissões em função desta redução de produção temporária.  Achamos que este programa seria a melhor alternativa para atender a redução de produção necessária, preservando o emprego de todos”, informou, por meio de nota, o presidente da Incepa, Celso Cavalli.

Ainda segundo a empresa, das três fábricas da Incepa em operação, duas em Campo Largo e uma em São Mateus do Sul, somente houve redução temporária de 30% na fábrica de São Mateus do Sul, que produz os porcelanatos esmaltados da linha de produtos. Entretanto, a indústria é realista em relação ao que vem pela frente. “Como nossa expectativa é que o mercado da construção civil demore algum tempo para reagir em função do excedente de oferta e pouca demanda, este ano o cenário se mostra com estabilidade em baixa e pouca recuperação. Esperamos que se retome a curva de crescimento, na melhor das hipóteses, em 2017”.

 

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