CARTA DO LEITOR – “Penso, logo eXISTO”. Até quando?

21 de outubro de 2016

No primeiro final de semana de outubro, em que a greve dos turneiros da SIX atingiu seu ponto de maior tensão, de maneira inédita, vários setores da sociedade fecharam e abriram a SIX, protagonizando um espetáculo descabido de hipocrisia e ignorância via redes sociais.

Naquele momento, o mais importante não era entender e contribuir para a solução do problema, mas sim condenar pela ignorância. Como se nesse país fosse regra trabalhadores serem responsáveis pelo fechamento de empresas. Importante mencionar que os trabalhadores em greve na SIX se recusaram a entrar e parar a unidade, e só retornaram para compor os grupos de contingência para mantê-la operando.

Para aqueles que querem um esclarecimento sobre o assunto de maneira imparcial basta assistir na íntegra a audiência de conciliação que encerrou a greve no dia 14/10/2016 (https://www.youtube.com/watch?v=84YZbjwUeCo). Ali está a defesa da Petrobras, dos turneiros e a mediação de uma juíza. Simples assim.

Agora, com o encerramento da greve dos turneiros da SIX, a sociedade são-mateuense poderá se concentrar e unir esforços para o que realmente interessa: repensar de maneira mais inteligente seu futuro com ou sem a SIX.

Com a nova política, a Petrobras está vendendo vários ativos, entre eles: campos de petróleo, biocombustíveis, fertilizantes, distribuição de gás e de combustíveis, refinarias etc.

A SIX já foi fechada pela Petrobras em 1989 e há poucos meses teve outra tentativa de encerramento das atividades. A sociedade não é inocente e reconhece tal possibilidade na situação atual. Para isso, não é preciso uma greve de trabalhadores ou outra desculpa qualquer, basta uma decisão administrativa da empresa.

A finalidade deste texto não é defender o fechamento da SIX.  Ao contrário, é promover a discussão entre os diversos personagens sociais sobre o impacto de uma possível paralisação das atividades da Petrobras em São Mateus do Sul.

Os personagens sociais são: Petrobras, petroleiros, sindicatos, comércio, indústria, escolas, imprensa, setor agrícola, poderes Executivo, Legislativo, Judiciário etc.

Já existem algumas iniciativas, entre elas, um grupo criado com alguns desses personagens sociais, para discutir e propor alternativas para a SIX, mas isso não é suficiente. Se a comunidade reconhece a importância social e econômica da SIX para São Mateus do Sul e região, a mesma precisa se envolver e entender a complexidade do assunto, até para poder formar uma opinião menos reacionária nos momentos de crise, como o que estamos vivendo.

Fica aqui a sugestão pela criação de um espaço democrático, talvez um seminário com participação dos personagens sociais citados, para discutir e amadurecer esse tema espinhoso. Que a sociedade seja agente desse processo e não se sinta vítima de si mesma apenas na defesa de seus interesses particulares.

 

Osmar Aggio

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