Aumento na tarifa do transporte coletivo surpreende usuários

12 de junho de 2015

Passagem saltou de R$ 2,30 para R$ 2,65 poucos meses após o último reajuste; Viação Santa Rita afirma necessidade de reequilíbrio econômico do contrato, mas enfrenta problemas trabalhistas

 IMG_5746Desde o início do mês, usuários do transporte estão pagando 15% a mais pela viagem (foto: jornal ACONTECEU)

 

O mês de junho começou financeiramente mais pesado para quem utiliza o transporte coletivo em São Mateus do Sul. Desde a semana passada, a tarifa está custando R$ 2,65, representando um aumento de 15% na passagem que, poucos meses atrás, já havia sido reajustada para R$ 2,30. O aumento desagradou os usuários e expôs problemas enfrentados pela empresa que presta o serviço, a Viação Santa Rita.

“Fomos surpreendidos pelo aumento”, diz a doméstica Fáttima Cruz, moradora da Vila Palmeirinha, que utiliza o transporte público diariamente para ir ao trabalho.  “Ficou um valor injusto. Tenho feito o trajeto a pé, em revolta, apesar da distância. Não podem querer melhorar a situação da empresa tirando do bolso dos usuários”, declara ela, que também afirma insatisfação com a qualidade dos veículos. Maria Estevão e Jane Barbosa, moradoras da Vila Nova e Parque das Tamareiras, respectivamente, se queixam que o valor não é compatível com o curto trajeto, por exemplo, para moradores das vilas Nova, Bom Jesus e Americana. “Sempre que possível, vamos a pé, alguns de bicicleta, mas no final do dia, depois do trabalho, fica bem cansativo”, expressam. Elas também relatam dificuldade em trajetos que não possuem linha de ônibus. “Trabalho no alto da vila Pinherinho, e não tem ônibus para lá, assim como em vários outros lugares”, comenta Jane.

De acordo com a Prefeitura, a Viação Santa Rita possui contrato de concessão com o município, que em 2012 foi renovado por 30 anos, e recentemente desistiu de outros contratos firmados com o município. Isso está relacionado a um bloqueio judicial que impediu que os pagamentos feitos pela Prefeitura chegassem à conta da empresa, seguindo direto para uma conta especial da Justiça.

O jornal ACONTECEU tentou entrevistar o proprietário da Viação Santa Rita, Luiz Fernando Belinazzo, que, segundo a empresa, está viajando, e os seguidos contatos por telefone foram frustrados. No entanto, a empresa enviou uma nota na qual afirma que o reajuste foi autorizado pelo poder executivo municipal, e ressalta que a lei permite recompor o equilíbrio econômico do contrato anualmente ou quando os principais custos do serviço sofrerem alteração significativa. “Neste caso, os custos de combustível, mão-de-obra, pneus e o aumento da gratuidade foram fatores decisivos para que a empresa protocolasse, junto ao Poder Executivo, solicitação de recomposição do equilíbrio econômico do contrato de prestação do serviço público de transporte”, diz a nota. A empresa também destaca que o serviço é calculado por meio de planilha de custos, compatível com a quilometragem percorrida, portanto, para não reduzir os serviços, não teria havido outra maneira de reequilibrar o contrato senão reajustar as tarifas.

Problemas trabalhistas

Além de estar acertando as contas com a Justiça por outros serviços e enfrentar a insatisfação dos usuários do transporte são-mateuense, a Viação Santa Rita ainda encara dívidas com funcionários em São Mateus, evidenciando os problemas internos. Recentemente, um grupo de empregados deixou a empresa e afirma estar tendo problemas para receber seus direitos. Jessi Caroline Huc conta que seu marido, o motorista Valdemir Augustiniak, atualmente realizando um curso em Ponta Grossa, faz parte do grupo de trabalhadores que entrou na justiça, por meio do sindicato da categoria, para reivindicar os atrasados. “Já era comum o pagamento atrasar. Então a empresa mandou meu marido embora, não pagou o salário do mês e nem o acerto. O pior é que assim não podemos dar entrada no seguro-desemprego e nem sacar o FGTS”, revela.

A empresa não se pronunciou sobre esta questão. O jornal ACONTECEU se mantém aberto para novos posicionamentos.

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