As chagas de uma centenária

11 de setembro de 2015

Situação da Igreja São José, da localidade de Água Branca, se agrava conforme espera pela restauração

 

848igreja-água-brancaCom projeto pronto, comunidade não pode mexer na estrutura até conseguir o apoio pelas leis de incentivo (fotos: jornal ACONTECEU)

 

Um dos monumentos mais representativos da história de São Mateus do Sul resiste aguardando restauração. A centenária Igreja São José, da localidade de Água Branca, a cada dia revela novas chagas na luta contra a ação do tempo, mantendo o simbolismo, mas revelando fragilidade que preocupa a comunidade.

Levantada em 1900 em forma de cruz, em plena formação da colônia pelos devotos imigrantes poloneses, a Igreja São José passou por algumas reformas ao longo de sua história, conforme as necessidades de cada período, mas, no compasso que cresce a relevância do espaço para São Mateus do Sul, aumenta a necessidade de restauro e garantias de preservação.

A igreja foi tombada como patrimônio histórico do Paraná em 2014, justamente com o intuito de obter mais apoio na busca por recursos que permitam sua restauração. Três anos antes, o Instituto Arquibrasil executou o projeto para o restauro, patrocinado pela Petrobras, que estimou um investimento de R$ 1,7 milhão para a obra completa. Atualmente, busca-se o tombamento em nível federal e apoio pelas leis de incentivo do governo. “Esta é mais uma etapa de uma luta árdua que já dura anos e só vem acontecendo porque existem pessoas que destinam muitas horas de seu trabalho em prol da comunidade”, expõe a moradora Rozeli Ferreira Oleinik. A longa espera, contudo, afeta diretamente a igreja. “A estrutura é forte, mas a torre está bastante comprometida, não pode esperar tanto”, revela.

Membro do Conselho Comunitário, Mário Stori Stuski mostrou à nossa reportagem os pontos mais frágeis da igreja — além da torre, janelas, assoalho desnivelado, algumas aberturas entre tábuas e infiltrações. “O problema é que não podemos mexer por causa do projeto de restauração. E com o tempo a situação vai se agravando”, preocupa-se.

Segundo o Conselho Comunitário, o custo mensal do espaço é de aproximadamente R$ 1,5 mil, valor arcado com as ações promovidas pela comunidade, que também já viabilizaram ampliação do pavilhão de eventos, cozinha, banheiros e reformas emergenciais por causa de danos causados algumas vezes pelas chuvas.

Questionada pelo jornal ACONTECEU, a Fundação Cultural de São Mateus do Sul disse que o projeto de tombamento federal está encaminhado aguardando aprovação, e que a iniciativa de restauro está no Ministério da Cultura desde 2009, cabendo a execução e captação dos recursos ao proponente do projeto, o Instituto Arquibrasil, autorizado pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) até a data de 31 de dezembro de 2015.

Segundo a arquiteta Jussara Valentini, da Arquibrasil, o desafio está justamente na captação desses recursos. “Fizemos alguns contatos e teríamos abertura do BNDES, mas para isso é necessário o tombamento federal”, explica. “Também recebemos uma promessa da Caixa Econômica Federal, de repassar R$ 340 mil, contudo, seriam necessários pelo menos R$ 800 mil para garantir o início e o fim da primeira etapa da obra, de cobertura e reforço estrutural”.

 

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