ARTIGO: Compreendendo a imigração polonesa: a chegada dos imigrantes

07 de agosto de 2015

Por Rosane Sousa Staniszewski

Mês de agosto é o mês polonês em São Mateus do Sul. Nossa cidade, que é de colonização predominantemente polonesa, procura nesse período resgatar suas origens e tradições com a realização de eventos como festas, bailes, jantares e outras atividades. Porém, pouco se fala a respeito do ensino na época da colonização. Dessa forma, entre 2013 e 2014 realizei minha pesquisa de Mestrado na Universidade Federal do Paraná, buscando investigar vestígios históricos da educação, em particular da matemática escolar nesta cidade, no período que abrangeu desde a chegada dos imigrantes poloneses ao Brasil, no final do século 19, até o momento posterior à nacionalização do ensino, em 1938, quando Getúlio Vargas proibiu as escolas étnicas no Brasil. Foram analisados documentos escritos (embora sejam poucos existentes) e coletados quatro depoimentos através de entrevistas.

Buscando compartilhar com a comunidade são-mateuense questões relativas à chegada e à colonização desses imigrantes ao Brasil, publicaremos uma sequência de quatro pequenos artigos (um a cada edição deste mês) que contam um pouquinho desta história. Iniciaremos hoje com a vinda dos poloneses ao nosso país, dando sequência nas próximas semanas com elementos acerca da estrutura e funcionamento das primeiras escolas e Sociedades-Escolas polonesas, estabelecidas em um período em que os imigrantes procuravam organizar-se de maneira mais efetiva nas novas colônias; passando também pela nacionalização do ensino e chegando ao ensino da matemática para os pequenos imigrantes da época.

Para entender como os poloneses chegaram ao nosso estado, cabe primeiramente ressaltar que os principais motivos da imigração polonesa para o Brasil foram a fome, a miséria e a perseguição racial, política e religiosa, que acometiam a Europa naquele momento. Sabendo que países da América prometiam liberdade e terras para os cidadãos estrangeiros plantarem, os imigrantes poloneses atravessaram o Atlântico em busca desse Novo Mundo. Na esperança de encontrarem melhores condições de vida, o polonês poderia obter um pedaço de terra do qual tiraria o sustento para a família e daria aos filhos as terras como dotes.

Em contrapartida, o governo brasileiro não se organizou para tamanho fluxo de imigrantes, tendo se preparado para receber apenas 10% do total que vieram de vários países europeus, por isso, por volta do ano de 1895, houve um período de total desorganização e desrespeito a essas pessoas. O historiador Rui Wachowicz relata que, nos navios, os imigrantes eram colocados em porões úmidos e escuros, com camas enfileiradas ou dormiam no chão, sem condições de higiene, sem ventilação, com comida e água precárias. Muitos levavam mais de três meses para chegar ao destino, outros não aguentavam, ficavam doentes e morriam durante a viagem. Ao chegar no país, ainda esperaram meses para serem levados às localidades nas quais suas futuras terras ainda estavam sendo demarcadas pelo governo. Receberam enxadas e sementes que deveriam ser pagas com o trabalho, enfrentaram o ambiente desconhecido e as matas fechadas, foram anos de muito sofrimento até esses imigrantes estarem melhor instalados na nova pátria.

Mas, apesar das dificuldades, o povo polonês sempre foi batalhador, e construiu suas próprias maneiras de fazer com que a dura realidade da época fosse aos poucos transformada em um novo lar e uma terra amada e que hoje tem orgulho de suas raízes. Assim, a comunidade polonesa reuniu esforços e sempre primou por manter a fé religiosa, sendo as igrejas uma das primeiras construções a serem erguidas em cada nova colônia. Outra grande preocupação era com a educação dos filhos. Na próxima semana, veremos como estes imigrantes se organizaram, deixando de alfabetizar as crianças em paióis improvisados e passaram a construir suas próprias sociedades-escolas.

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