Arnoldo Prohmann: autor do Hino de São Mateus e poeta da erva-mate

29 de maio de 2015

O Chimarrão

Cabocla bonita
Co’a cuia na mão
Poem água bem quente
Para o chimarrão
A herva é boa
De bom barbaquá
Mas sorva o primeiro

Depois passe cá
Na bomba de prata
Teo lábio coral
Dá beijos ardentes
De linda vestal
A cuia morena
Tremula na mão
Será pelo gozo
Do teo chimarrão?

Não creio que seja
Somente o prazer
O mate gostoso
Da cuia sorver
Teos olhos me dizem
Da tua comoção
Segredos de amores
Do teo coração

Poema de Arnoldo Prohmann, publicado no livro “Fontes para a História do Paraná – Documentação de Arnoldo Prohmann”, em 1990, pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. 


 

Por Gabrielle Staniszewski

Arnoldo Prohmann (1878 – 1969) é conhecido como o autor da letra do Hino São-Mateuense, escrito em 1933. Embora nascido em Curitiba, aqui se instalou e realizou várias atividades importantes em seu tempo:  foi um dos fundadores da primeira cooperativa de erva-mate, adjunto de promotor e juiz de paz. Atuando também como agrimensor, foi responsável pelo planejamento urbano da Vila Santa Maria, antigo nome de São Mateus do Sul.

Também era escritor, e contribuía com artigos para jornais e revistas. O livro póstumo, do qual “O chimarrão” foi extraído, conta ainda com poemas que versam acerca das saudades das belezas da cidade, tais como as naturais e das moças. Como bom poeta brasileiro, não podia deixar de elaborar também sua própria versão da Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, à qual intitula “Minha Terra” e diz: “Minha terra tem pinheiros / Aos milhões se contará / Tem imbuias gigantescas / Tem herveiras pitorescas / Que nos dão gostoso chá”.

A dedicação do autor à erva-mate do município chamou a atenção de Gilberto Staniszewski, presidente do CONJOVE e um dos mentores do projeto do chimarródromo, que vem sendo desenvolvido em parceria com a Prefeitura. “Curiosamente, Arnoldo foi casado com a minha avó, e quem me apresentou o livro com esse e outros poemas foi a filha dele – e minha tia –, Edelar. Arnoldo Prohmann sempre foi um apaixonado pela nossa terra são-mateuense e, como estamos buscando justamente resgatar essa valorização da cultura da cidade através da erva-mate, a ideia agora é buscar meios de reeditar o livro”, conta Gilberto.

Caso a iniciativa seja exitosa, as escolas são-mateuenses certamente serão beneficiadas, não apenas conservando um exemplar nas prateleiras da biblioteca, mas tendo a possibilidade de incluir o autor e seus poemas nas atividades com os alunos. Seria um excelente meio de chamar a atenção para que os jovens continuem se preocupando em valorizar o que é nosso – a própria cidade, o cultivo da erva-mate, o costume do chimarrão –, assim como fez Arnoldo Prohmann, ao declamar nos versos mais bonitos do hino do município: “São Mateus bela cidade, meu torrão, / Eu te adoro como adoro a liberdade / E a ti levanto um altar no coração”.

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