Apesar da vida curta, aviação deixa suas marcas na história de São Mateus do Sul

22 de agosto de 2014

Memórias da cidade contam com algumas histórias inusitadas, e outras trágicas, como o episódio que vitimou João Bettega e Altino Ferreira de Lima, no ano de 1943

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A sucessão de acidentes aéreos ocorridos em 2014 tem deixado a população aflita, surpresa com a frequência de tragédias envolvendo o que é considerado o meio de transporte mais seguro, e com a violência delas, quando acontecem. A mais recente, envolvendo o candidato à presidência da República, Eduardo Campos, e outras seis pessoas, no dia 13 de agosto, chocou o Brasil, e as causas ainda estão sendo apuradas. Acidentes à parte, a modernidade, agilidade e eficiência dos veículos aéreos está entre as maiores façanhas do homem.  Apesar da vida curta, história da aviação em São Mateus do Sul deixou suas memórias, e também envolveu a perda inesperada de ilustres moradores.

Quem resgatou esta história, há poucos anos, foi o pesquisador Nelson Chaves de Souza, antigo colunista do jornal ACONTECEU, que trazia de volta acontecimentos marcantes da cidade na coluna Naquele Tempo, atualmente republicada na versão online do jornal. Com a Casa da Memória, o pesquisador obteve uma fotografia rara, que registra o acidente aéreo que vitimou João Bettega e Altino Ferreira de Lima, no ano de 1943. Os moradores, que hoje dão nome a importantes ruas do centro da cidade, morreram com a queda do monomotor que os transportava.  “Segundo as testemunhas, o piloto estava dando voos rasantes muito baixos e o avião acabou enroscando nos fios de luz, vindo a cair próximo de onde atualmente é a loja Suri, na avenida Ozy Mendonça de Lima”, contou Nelson, na ocasião.

O primeiro pouso de avião na cidade ocorreu um ano antes, conforme apurado pelo pesquisador. A aterrissagem aconteceu em uma propriedade de Olívio Wolff do Amaral, próximo ao atual Estádio Municipal que leva seu nome, e atraiu a atenção de várias autoridades na ocasião. O momento foi registrado pelo fotógrafo Stanislaw Budzinski, quando estavam reunidas personalidades como o prefeito da época, Domingos Cunha Maciel. Mais tarde, o piloto, identificado apenas como “Veco”, montou um aeroclube, com escola de pilotagem, já no campo de pouso da estrada da Fazenda Maria Isabel. Durante vários anos, o campo de aviação, como ficou conhecido, foi utilizado para pousos e decolagens, até que foi caindo em desuso.

Outra história marcante que remete à aviação é a clássica passagem do cantor Roberto Carlos por São Mateus do Sul. Literalmente, uma passagem, pois o cantor seguia para um show na cidade de União da Vitória, em 1977, e só parou para abastecer — o que foi suficiente para atrair muitos olhares curiosos.

Após o fim do campo de aviação, avião mesmo em São Mateus só se via no céu, ou no quintal do morador Walmir Rodrigues Borba, cuja lista de hobbies inclui construir aviões. Unindo experiência mecânica ao gosto por voar, Valmir começou a montar, nos fundos de casa, uma réplica de um antigo modelo utilizado na Primeira Guerra Mundial — história que também já foi contada no ACONTECEU. O projeto de Walmir acabou atrasando e ficando parado por um tempo. No momento, pretende retomar a construção para concluí-la até o final do ano. Sem mais um campo de aviação por aqui, este e futuros projetos do morador terão que sair do chão no aeroclube de cidades vizinhas.

Fotos: Acervo Casa da Memória / Acervo Nelson Chaves / jornal ACONTECEU

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Na imagem inicial, primeiro pouso de avião em São Mateus do Sul; foto acima registra acidente que vitimou João Bettega e Altino Ferreira de Lima, e abaixo, projeto do morador Walmir Borba, em construção

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