A cidade cresce, mas a estrutura…

31 de outubro de 2014

Na contramão do crescente desenvolvimento populacional e econômico de São Mateus do Sul, centro da cidade para no tempo; a começar pela pavimentação, carências frustram pedestres, motoristas e empresários

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O centro é o coração de uma cidade. Que pulsa vida para o desenvolvimento das demais regiões, como o núcleo de encontros, negócios, e que ilustra seu porte, suas qualidades, sua trajetória. O centro, afinal, é o convite para conhecer, para investir, para morar numa cidade, revelando suas características, e passando a primeira e mais importante impressão em relação ao município. Importância tamanha que passa a ser esquecida após anos de marasmo, enquanto o progresso pede modernização.

As mais recentes gerações não se lembram de um outro centro de São Mateus do Sul senão o que veem hoje. Com exceção da expansão dos empreendimentos, que são os reais responsáveis pelo que há de modernização no coração da cidade, a estrutura urbana segue a mesma há vários anos, com poucas melhorias aqui e ali. A mudança mais significativa ocorreu nos anos 1980, quando o então prefeito Lourival Mayer implantou os tradicionais canteiros centrais, na avenida Ozy Mendonça de Lima e na rua Ulisses Faria. Nos arquivos do jornal ACONTECEU, a edição da primeira quinzena de abril de 1996 traz o projeto Novo Centro, ainda na gestão de Argos Fayad, que trouxe pavimentação a algumas ruas importantes, como a Barão do Rio Branco. Quase 20 anos depois, pouca coisa mudou.

Frustração para empresários

Os empresários do centro são os que mais percebem a diferença de uma estrutura básica de qualidade. Em pouco mais de um ano, período em que um trecho importante da rua Tenente Max Wolff Filho recebeu pavimentação, é visível o aumento do número de comércios no local, assim como ampliação de alguns já existentes. “Depois que surgiu a pavimentação, melhorou muito. Antes a rua era irregular, as pessoas não passavam por aqui”, revela o comerciante Marco Dudeck, que investiu no negócio e viu retorno após o simples asfaltamento da rua.

Poucas quadras depois, contudo, o cenário é desesperador para quem se dispôs a investir pesado e ainda não viu retorno em estrutura mínima. Na mesma Tenente Max, um empreendimento considerável tem como acesso ruas irregulares, comumente desviadas pelos motoristas, problema já há alguns anos lamentado pelos empreendedores. “Há um contraste muito grande entre o que investimos e o que o poder público investe. Falta, sim, uma valorização do trabalho dos empreendedores”, opina o empresário sócio da rede de supermercados 70. “Essa região, que tem uma de nossas filiais, está muito longe do que aquela população merece”.

A nível geral, Renato também volta os olhos para as demais ruas, mesmo onde há pavimentação, mas que estão saturadas em sua estrutura atual. “Quanto temos que ir ao banco é um caos. Esperamos que a instalação do Estar (estacionamento rotativo) reverta esta questão, pois vemos muitos proprietários e funcionários mantendo os carros em frente aos estabelecimentos”, acrescenta.

Sua opinião é compartilhada também pelo comerciante Gerson Paulo Nadolny, que aponta para a precariedade na conservação de vias. “É lamentável o descaso por parte do governo com as ruas de nossa cidade. Vias mal conservadas, que recebem apenas remendos grosseiros, lixos acumulados”, observa. “Outro exemplo é o Parque do Iguaçu. Ao lado da rampa para barcos, onde lixo, galhos, mato e dois grandes buracos no asfalto retratam nosso  cartão postal para que vem visitar a cidade”.

Um verdadeiro novo centro

Conforme noticiado em edições anteriores do jornal ACONTECEU, a Prefeitura tem um projeto de revitalização da rua Ulisses Faria, que deve começar em breve, já incluindo uma nova padronização dos passeios públicos, de acordo com material, medidas e demais exigências especificadas. Além disso, de acordo com o arquiteto e urbanista da Secretaria Municipal de Obras, Guilherme Distéfano Santos, as melhorias mais iminentes no momento se concentram na iluminação pública e também na instalação de câmeras de vigilância no centro. “Serão utilizadas LEDs em toda a avenida Ozy Mendonça de Lima e rua Ulisses Faria, assim como as câmeras para monitoramento constante”, informa.

Ainda segundo ele, a mudança mais significativa no centro virá após a conclusão do processo de municipalização do trânsito, primeira e mais necessária ação da recente Secretaria de Segurança Pública e Trânsito. “O projeto, que já está pronto, consiste em toda uma restruturação do centro, com mudanças no sentido de ruas, mais pavimentações, implantação do Estar e outras providências estruturais”, revela. Para isso, ainda serão realizadas futuras audiências públicas, para comunicar e ouvir a população.

Fotos: jornal ACONTECEU

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No trecho da rua Tenente Max Wolff Filho que recebeu asfaltamento recentemente, é visível aumento do número de comércios

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