Tempestades castigam lavouras da região

27 de novembro de 2015

Prejuízos gerados pelo clima instável desta primavera ainda estão sendo levantados; impacto foi grande nas lavouras de fumo em São João do Triunfo, comprometidas pelo granizo

 

DSC_0179Foto: jornal ACONTECEU

 

As chuvas fortes e constantes estão castigando a região nesta primavera, chegando ao ponto de causar diversos transtornos e prejuízos. Em outubro, o município de Antonio Olinto sofreu danos severos no interior por consequência de um temporal com ventos fortes, derrubando árvores, destelhando e até destruindo casas no interior. Já no último final de semana, o prejuízo foi em São João do Triunfo, cidade atingida por queda de granizo que prejudicou principalmente as plantações de fumo, comprometendo a safra do principal município produtor da cultura no Estado.

O temporal com granizo atingiu principalmente as localidades de Rio Baio, Coxilhão do Meio, Coxilhão Vitoriano, Faxinal do Ferreira, Pinhalzinho e Bromado, na tarde de domingo (22), justamente na época de colheita do fumo, quando os pés chamavam atenção pela viçosidade. Ewerton Marafon, da fumageira Universal Leaf Tabacos, afirma ter apurado que o granizo afetou cerca de 50 produtores do município. “A perda não foi total. A maioria já tinha feito a primeira colheita, mas justamente a parte principal da produção, que é mais valorizada, é que foi atingida”, explica. A família de Valdecir e Valquíria de Souza, produtores de Pinhalzinho que cultivam 60 mil pés, está entre os prejudicados. “O granizo destruiu cerca de dez folhas por pé. Vamos conseguir colher praticamente a metade”, conta Valquíria, cuja família vive da produção e que revela já ter perdido tudo em outras ocasiões. “Sem o fumo nós não somos nada”.

O secretário de Agricultura do município, Pedro Ianhaki, comenta que já esperava-se a queda na produção devido ao excesso de chuvas, mas com o granizo a quebra deve chegar entre 40 e 50% da produção. “A última safra passou das 13 mil toneladas, e agora não chegaremos a 8 mil. É um grande problema, pois a cultura do fumo atualmente é a base da economia do nosso município, e com a chuva fica difícil o novo plantio, que será de milho e alguns com feijão”, relata.

A reportagem consultou o escritório regional do Departamento de Agricultura Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em União da Vitória, mas ainda não havia um levantamento sobre os impactos das chuvas para a região. A Emater e a Secretaria de Agricultura de São Mateus do Sul também não deram estimativas, mas também acreditam na redução da produção.

 

Primavera molhada

Conforme dados do Deral e do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o índice de precipitação pluviométrica na região em outubro de 2015 (última atualização) chegou a quase 250 milímetros. Apesar de o mês ainda não ter encerrado, novembro já indica um nível maior. O Instituto Tecnológico Simepar mostra que os acumulados seguem quebrando recordes para novembro. O levantamento referente ao período de 1º a 23 de novembro mostra chuva acima da média em todas as regiões do Paraná. No sul foi de 15% acima da média histórica, mas o cenário é ainda pior nas regiões norte e noroeste, onde já choveu o dobro da média.

Em relação aos próximos dias, o Simepar não traz novidades. A tendência é que o período chuvoso se estenda para o verão.

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