Prejuízos causados pela chuva na agricultura são-mateuense podem gerar estado de calamidade pública

11 de dezembro de 2015

Conclusão de levantamento vai nortear as medidas emergenciais; para secretário de Agricultura, produção foi drasticamente comprometida

 

DSC_0368Secretário de Agricultura Beto Volochen lamenta quebra considerável na produção agropecuária (foto: jornal ACONTECEU)

 

O município de São Mateus do Sul pode decretar estado de calamidade pública devido ao impacto das fortes chuvas nas últimas semanas. A informação foi confirmada ao ACONTECEU pelo secretário municipal de Agricultura, Antônio Gilberto Volochen, após reunião com outros setores municipais, entidades rurais e de assessoria técnica, que estão levantando os prejuízos causados principalmente na agricultura local.

“Sem dúvida a produção será drasticamente comprometida”, revela o secretário de um dos 30 municípios com maior produção agropecuária do Estado. O relatório oficial com os prejuízos ainda não foi concluído, mas o setor estima perda praticamente total do trigo e grandes prejuízos também no feijão, fumo e batata, entre outros. Ou lavouras inteiras foram atingidas por chuva e granizo, ou a umidade atrapalhou o plantio. A soja, ainda em tempo de ser plantada, só seria salva se a chuva parasse, o que contradiz com a previsão para este final de ano. “Todos os produtores tiveram algum tipo de prejuízo e em algumas culturas já não tem mais o que fazer”, lamenta Volochen. “Até a produção de leite, que parece não interferir, é prejudicada, uma vez que o pasto dos animais também foi comprometido”.

O resultado do balanço deve nortear as medidas emergenciais. Se os prejuízos atingirem mais de 2,78% da receita pública e 8,73% da privada, o município entra em estado de emergência. A medida poderá gerar auxílio aos agricultores, como prolongamento do prazo de dívidas e possibilidade de acessar novos créditos. Se o prejuízo passar de 8,33% público e 24% privado, pode-se instaurar estado de calamidade pública, o que envolve também Estado e União e seu dever em contribuir.

Para a Defesa Civil de São Mateus do Sul, o estado de emergência já é considerado. Resta saber se vai alcançar tamanho prejuízo para chegar ao estado de calamidade. Os dados do órgão mostram acumulado de quase 700 milímetros de chuva nos últimos três meses. “Nos últimos 90 dias, choveu em 70”, revela o secretário da Defesa Civil, Thales Mazepa. A primeira semana de dezembro somou 74,4 milímetros e a previsão, segundo Tales, é de mais 130 milímetros de chuva este mês, e previsões de alta umidade até fevereiro de 2016. Calculado pelo medidor no centro, o acumulado pode variar no interior, onde as chuvas também geraram estragos nas estradas rurais. Na Água Branca, chegou a chover 110 milímetros em três horas, episódio ocorrido no dia 11 de novembro.

O levantamento dos prejuízos deve ser concluído no início da próxima semana. No mesmo período, a Prefeitura deve se reunir com lideranças estaduais para discutir possibilidade de apoio.

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