O verde da cidade

19 de dezembro de 2014

Cortes indiscriminados, espécies invasoras e necessidade indiscutível de mais verde na cidade são desafio e tanto para município, que finaliza Plano de Arborização Urbana

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São nos dias de calor, intensos nesta época do ano, quando mais reclamamos pela falta de sombra. E quando mais lembramos como é importante ter uma cidade arborizada. E quando há árvores, muitas delas esbarram em problemas de acessibilidade e segurança, por serem espécies indevidas para o local. E também, são alvos de podas indiscriminadas que ferem a espécie e transformam os galhos imponentes em lixo nas esquinas. A arborização urbana se revela um desafio e tanto para o município, que enfim está colocando no papel um projeto para regularizar esta questão, prometendo ações próprias e normas para a comunidade.

Está em fase final de elaboração o Plano Municipal de Arborização Urbana, realizado pela Prefeitura de São Mateus do Sul com o auxílio da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), cujo estudo direciona a melhoria da arborização na cidade, guiado por questões técnicas e padrões para harmonizar a estrutura urbana com o verde tão necessário. Como base, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, responsável pelo projeto, tem os dados da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, o Manual de Arborização da Copel, portarias do IAP, normas, leis e pesquisas realizadas na área, que orientam tanto em relação a espécies adequadas para a arborização urbana, quanto aos cuidados com espaçamento, adubação, controle de pragas e outros fatores.

O Plano Municipal vem em um momento necessário, quando se observam muitos cortes indevidos, e também trabalhos do próprio município que vêm chamando a atenção da população, inquieta quanto ao que está correto e o que é errado. De acordo com o secretário municipal de Meio Ambiente, José Ewerling, os principais desafios estão em relação a espécies inapropriadas para o local que se encontram. “Há muitas espécies exóticas que não podem ser plantadas em determinados locais, pelo seu porte ou suas raízes, que não dão a metragem necessária para livre passagem nas calçadas, ou que ainda representam um risco biológico para as espécies nativas. Plantá-las pode até ser considerado um crime ambiental”, explica. Segundo ele, o Plano de Arborização já acompanha o novo padrão de calçadas, estipulado recentemente, e indica o plantio de espécies adequadas, quanto ao porte, tipo de raiz e que apresentem resistência ao clima local, dando prioridade às espécies nativas. “É preciso adequar à acessibilidade”, destaca.

O Plano de Arborização Urbana deve entrar em processo de regulamentação no início de 2015. Enquanto isso, um “projeto-piloto” já está sendo trabalhado, em parceria com a Paróquia São Mateus no entorno da igreja Matriz, que está readequando suas calçadas dentro do novo modelo. “Já plantamos diversos exemplares de extremosa e de erva-mate no entorno da quadra, atendendo sugestões do projeto do Conjove, de fortalecer a identificação cultural da cidade como capital da erva-mate. Com a poda adequada, elas vão se desenvolver com condições de fornecer um bom sombreamento”, descreve o diretor de Meio Ambiente, Thales Ravel Hetka Okonoski. Neste trabalho inicial, algumas árvores foram retiradas do local, o que, segundo Thales, foi necessário devido à disposição de suas raízes e a sua localização, pois algumas encontravam-se bem no meio do passeio, impedindo a metragem mínima necessária para o calçamento. Dentro da questão legal, as referidas espécies — pau-incenso e alfeneiro — são consideradas exóticas invasoras. “Tentaremos ao máximo evitar a retirada, mas, ainda assim, terão substituições e a quantidade a ser plantada é muito expressiva”, complementa.

Segundo a Secretaria de Meio Ambiente, junto do Plano de Arborização, terá início um plano de ação que já seguirá os padrões determinados. Além dos exemplares vindos do centro de produção (viveiro) local, dos viveiros da Copel e do IAP, aproximadamente 5 mil mudas devem ser adquiridas para plantio na cidade. As podas ficarão a cargo da própria Prefeitura, que afirma já ter restruturado a equipe para o trabalho mais adequado possível, sem cortes drásticos desnecessários. “Neste ponto, precisamos da colaboração da população, para atender às determinações do projeto, se informar com a Secretaria se tiver dúvidas, e entender que as árvores plantadas, mesmo que pelos próprios moradores, fora da propriedade, se tornam um bem público”, alerta o secretário.

Fotos: jornal ACONTECEU

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