Lixão: o buraco é mais embaixo

07 de novembro de 2014

Apesar da limpeza realizada nos últimos dias na região do Distrito Industrial, problema ainda deve gerar dor de cabeça; camadas de lixo abaixo da terra podem comprometer instalação de empresas na área

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Na semana passada, o jornal ACONTECEU noticiou a esperada limpeza do lixão existente em uma área do Distrito Industrial da cidade. No entanto, apesar da ação positiva que deu fim a várias pilhas de entulhos, galhos e detritos variados, o problema não termina — aliás, seu fim ainda é indefinido. Isso porque a região que recebeu o despejo de materiais por vários anos acumula camadas de lixo abaixo da terra, e para eliminá-lo, o investimento é alto e seu destino é outro problema.

O município revela não ter ideia da quantidade de detritos acumulados na área, e nem condições de arcar com tamanha despesa para retirá-los por completo. “Pode ser um metro de lixo. Podem ser três. Só teremos essa noção quando fizermos uma avaliação mais detalhada, e como o custo é alto, trabalhamos aos poucos”, diz o secretário de Meio Ambiente, José Ewerling. Ainda segundo ele, no caso de uma empresa se interessar pela área, como é a pretensão do município, é possível que seja transmitida a ela a responsabilidade pela limpeza, mediante acordo prévio, pois é inviável levantar uma estrutura sobre um terreno tão instável. Além do investimento alto, existe a dificuldade em relação a onde levar tanto lixo.

Esta semana, começou a ser feita a instalação de cercas no entorno do terreno, para evitar que mais lixo seja depositado lá indevidamente. Observando pela lateral do terreno, já próximo à Cosamar, o desnível da área chega a aproximadamente cinco metros, indicativo da quantidade de lixo oculto. E a mistura de resíduos — muitos deles que poderiam ser reciclados — é o que mais preocupa nesta situação. “Herdamos um grande desafio em relação à destinação de determinados tipos de material, e um trabalho muito longo para cumprimento do Código de Posturas, que não se resume apenas ao recolhimento e destino do lixo, mas também em toda uma questão de educação ambiental, para que as pessoas tenham a consciência de separar o lixo”, argumenta o secretário.

Despejo de entulhos segue até liberação de licença

Também na edição passada, o ACONTECEU expôs a imagem de um caminhão despejando material na área, enquanto, do outro lado, se fazia a limpeza. Procurada pela redação, a empresa responsável informou que presta serviços para a Prefeitura no recolhimento de entulhos pela cidade, mediante contrato, há pouco mais de um ano. A Secretaria de Meio Ambiente disse que orientou a empresa a seguir com o depósito no local até que o município receba a liberação para voltar a destinar esse tipo de resíduo às cavas das minas de xisto da Petrobras, o que deve acontecer ainda este mês.

Foto: jornal ACONTECEU

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