Lideranças do setor trabalham para obter IG da erva-mate local

20 de fevereiro de 2015

Ano é de trabalho para comprovar diferencial do produto da região e alcançar selo de reconhecimento que beneficiará toda a cadeia produtiva

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A proposta de trazer para São Mateus do Sul um selo de qualidade por um de seus mais tradicionais produtos vem sendo trabalhada a passos largos. O registro de Indicação Geográfica (IG) para nossa erva-mate está sendo solicitado junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), que vai analisar os fatores que colocam o produto da região como diferencial e, consequentemente, dar a ele maior reconhecimento no mercado.

O registro IG é conferido a produtos ou serviços que são característicos do seu local de origem e cuja produção é distinguida dos produtos similares do mercado devido à qualidade única, obtida em função de recursos naturais como solo, vegetação, clima e o próprio saber fazer. Como o vinho de algumas cidades do Rio Grande do Sul e o café do norte do Paraná, por exemplo, a erva-mate local tem condições de receber a certificação e ser valorizada perante outras marcas, beneficiando toda a cadeia produtiva.

O processo teve início no ano passado e está reunindo produtores, industriários e representantes de várias entidades relacionadas, como o Sindicato Patronal da Erva-Mate (Sindimate) e Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), que, em dezembro passado, formaram uma associação para conduzir formalmente as medidas necessárias. A última reunião aconteceu no dia 11 de fevereiro, ocasião em que o professor e doutor em Engenharia Agrícola Agenor Maccari, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que auxilia no processo, expôs tudo o que é necessário ser feito para obter a certificação, e o que já foi feito.

Segundo Maccari, o pedido consiste na apresentação de contribuição histórica do cultivo de erva-mate na região, a comprovação dos fatores que tornam o produto diferencial — o que afeta sua qualidade — e a delimitação geográfica, ou seja, mapeamento da região que é beneficiada por esses fatores e que será incluída na IG — neste caso, pode ir além de São Mateus. Conforme exposto na reunião, uma prévia do material já produzido foi apresentada aos órgãos competentes para conduzir corretamente o restante da pesquisa. A execução da documentação vai depender da colaboração dos associados e pesquisas técnicas, e a intenção é concluir o material até o mês de outubro, da maneira mais completa possível. “Quanto melhor estiver a documentação apresentada ao INPI, menor é o risco de erros e mais rápida será a aprovação”, destacou Maccari, que espera ter a marca aprovada em 2016.

Todo o conteúdo será acompanhado e deverá ser aprovado em assembleia pelos membros da associação, assim como deverão ser estudadas medidas de fiscalização e garantia do padrão da erva-mate, após a obtenção do IG, para que o produto atenda aos requisitos colocados pelo seu selo de qualidade. Para o especialista, o trabalho é grande, mas os benefícios serão compensadores. “O IG é a garantia de que nosso produto vai aparecer como algo diferente no mercado, gerando publicidade e assim beneficiando o produtor, a indústria, o comércio, a cidade toda, além da garantia da proteção da erva-mate daqui”, enfatiza Maccari.

A próxima reunião da Associação dos Amigos da Erva-Mate de São Mateus do Sul deve acontecer no mês de março.

Foto: jornal ACONTECEU

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