Comitiva brasileira volta satisfeita de conferência sobre o tabaco, na Rússia

24 de outubro de 2014

Apesar de impasses e preocupação em relação ao futuro dos produtores locais, prefeito de São João do Triunfo, integrante da comitiva, considera resultado “uma vitória”

FOTO-JORNAL

Depois de seis dias de intensos debates entre os membros da Convenção-Quadro para o Controle de Tabaco (CQCT), o resultado da 6ª Conferência das Partes (COP6) foi considerado positivo, inclusive pela comitiva brasileira, que viajou a Moscou, na Rússia, para defender a classe produtora que se sentia ameaçada por novas restrições em relação à cultura.

A CQCT possui 35 artigos e tem como objetivo promover ações de combate ao tabagismo, e a COP acontece a cada dois anos para apresentar novas ações, acrescentar itens ou alterar artigos que valorizem a proposta. No encontro deste ano, contudo, havia temor por parte da classe de produtores de tabaco em relação a mudanças que pudessem prejudicar seu trabalho — e consequentemente influenciar na economia de muitas cidades. A polêmica estava nos artigos 17 (diversificação) e 18 (proteção ao meio ambiente e saúde das pessoas), que podiam acarretar na redução das áreas de tabaco plantadas.

A comitiva brasileira, formada por 16 integrantes, entre eles o prefeito de São João do Triunfo, Marcelo Hauagge, teve problemas por não ter total acesso aos debates realizados a portas fechadas pela Organização Mundial da Saúde, mas conseguiu apresentar e ter aprovado o documento sugerido pelo seu grupo de trabalho, com ajustes que reverteram o impacto negativo sobre a produção de tabaco no País. “A comitiva foi fundamental para que o governo brasileiro defendesse posturas equilibradas e ajustes de texto que melhoraram, por exemplo, a participação da representação dos produtores na implementação de alternativas de diversificação, o que antes não acontecia. Percebemos uma clara mudança de postura dos delegados brasileiros em função desta atuação”, disse, em nota à imprensa, o presidente do SindiTabaco, Ivo Schünke.

Para o prefeito de São João do Triunfo, maior cidade produtora de tabaco do Paraná e sétima do País, o grupo ficou aliviado. “Foi uma vitória para nós, sermos ouvidos e podermos defender as tantas famílias produtoras que dependem dessa cultura. Entendemos a proposta de conscientizar em relação ao fumo, mas influenciar no plantio do tabaco mexe na economia dessas cidades, e também do Brasil como um todo, que é o segundo maior produtor mundial e o maior exportador do mundo”, diz.

Segundo ele, o fato de a delegação não ter sido credenciada para participar dessas discussões não a atrapalhou necessariamente, pois o Consulado do Brasil na Rússia apoiou o grupo e transmitiu suas posições, permitindo uma sintonia com as decisões até a tarde de sábado (18), quando o texto final foi aprovado.

Os artigos foram aprovados agora com prazo para diversificação da cultura, e recomendações mais brandas relacionadas ao desestímulo de financiamento público para tabaco, o que era uma grande preocupação das entidades do setor. Além disso, propõe a responsabilização da indústria sobre questões sociais e ambientais de acordo com a legislação de cada país.

Foto: Divulgação

Comentários